SAF: Veja o que experiência chilena e colombiana mostra para clubes brasileiros

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Chile, começo dos anos 2000. O Colo Colo, clube mais popular do país, afundado em dívidas, declara falência. Posteriormente, seria o primeiro a se aproveitar da lei criada em 2005 para transformar as associações em empresas, semelhante a que permitiu a migração do futebol de Cruzeiro e Botafogo para sociedades anônimas de futebol. Dezessete anos depois, o Cacique segue existindo, um pouco melhor financeiramente do que antes. Mas sem os resultados em campo prometidos.

Clubes chilenos e colombianos entraram na era das sociedades anônimas há pelo menos dez anos. Os dois países aderiram ao modelo em um contexto bem parecido com o do Brasil, de clubes endividados, de discurso de maior profissionalismo e transparência. Até agora, as experiências mostraram que o salto esportivo é o mais difícil de se fazer.

Depois do Colo Colo, Universidad de Chile e Universidad Católica, outros dois grandes do país andino, também deixaram de ser associações. Assim como Cruzeiro e Botafogo, venderam o comando do futebol.

Atualmente, são controlados por instituições financeiras chilenas, bancos e corretoras de valores. Colo Colo, La U e La Católica arrecadaram, respectivamente, na época em que se converteram em sociedades anônimas, R$ 76 milhões, R$ 24milhões e R$ 49 milhões. O dinheiro serviu para arrumarem a casa — de acordo com os balanços mais recentes publicados no site da Comissão para Mercado Financeiro do Chile, possuem contas sob controle. Mas, esportivamente, o cenário é pobre.

Na América do Sul, o desempenho é ruim. São exceções no período o título da Sul-Americana, conquistado pela Universidad do Chile, e o vice do Colo Colo na mesma competição. O ranking da Conmebol, que leva em consideração resultados nos últimos dez anos, mostra o trio atrás de brasileiros, argentinos, uruguaios, paraguaios, equatorianos e colombianos. Um contrassenso, quando levado em consideração o fato de estarem no país com a quarta maior economia do continente, atrás apenas de Brasil, Argentina e Colômbia.

Supremacia colombiana

Na Colômbia, a criação de uma lei federal que regulamentou a transformação dos clubes em sociedades anônimas ocorreu em 2011. O texto criou mecanismos para aumentar a transparência quanto a investidores e à origem do capital investido — uma tentativa de interromper o histórico de participação de capital proveniente do narcotráfico nas finanças dos clubes.

O time mais popular do país é de propriedade privada, mas adotou o modelo antes mesmo da lei entrar em vigor, em outro contexto. O bilionário Carlos Ardila Lulle, falecido ano passado, comprou o Atlético Nacional em 1996 e colocou seu conglomerado econômico, que inclui veículos de comunicação e fábricas de bebidas, a favor da equipe.

Foram dez títulos desde então, incluindo uma Libertadores, que colocaram o time de Medelim como o mais vitorioso da Colômbia, à frente do Millonarios. A equipe de Bogotá também se transformou em sociedade anônima e atualmente quem controla o clube é o fundo de investimentos inglês Amber Capital.

Recentemente, duas passagens chamaram a atenção. Na Assembleia Geral do mês passado, em uma projeção de resultados esportivos até 2025, sócios minoritários e torcedores do Millonarios ficaram insatisfeitos com o fato de a diretoria não prever títulos.

— É um plano financeiro realista — disse o presidente Enrique Camacho, segundo o site “El Espectador”.

O outro episódio foi o fato de Gustavo Serpa, diretor do clube e homem forte dos ingleses no Millonarios, ter dado entrevistas contando com jogador do elenco cujo contrato já havia acabado.

O Santa Fé, campeão da Sul-Americana em 2015, e que virou sociedade anônima em 2011, é do empresário colombiano Diego Perdomo desde o mês passado. Ele emprestou dinheiro à empresa, que na impossibilidade de pagá-lo, resolveu quitar a dívida com ações.

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