Safra perdida? Temperaturas recordes afetam vinícolas na Europa; produtores já estimam perda de 25%

No dia 7 de julho, um incêndio florestal no Vale do Ouro atingiu os arredores da vinha da Quinta da Alegria, de Oscar Quevedo. No meio da noite, as chamas o cercaram. As videiras plantadas em uma área totalizando cerca de um hectare queimaram.

- Nunca tinha visto um incêndio tão grande e rápido no coração do Douro - disse Quevedo, que tem 39 anos.

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Em toda a Europa, as temperaturas nas regiões vinícolas têm atingido novos recordes, e as ondas de calor estão se movendo para o norte em países tradicionalmente frios, como é o caso da Alemanha. No Reino Unido, temperaturas acima de 40°C foram registradas pela primeira vez.

Os produtores de vinho temem que isso diminua os rendimentos em 25% ou mais para esta safra. Muitos já haviam sido atingidos pela geada e pelo granizo. Ondas de calor cada vez mais intensas estão sinalizando que as condições podem se tornar ainda mais extremas e imprevisíveis ao longo do tempo.

- A Europa está se aquecendo mais rápido do que a média global - diz o professor Angel Hsu, cientista climático da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill.

Mesmo que um incêndio não queime as videiras, a fumaça das chamas próximas pode arruinar as plantações por quilômetros. Quando a fumaça pesada paira sobre as videiras por vários dias pode causar manchas de fumaça nas uvas, o que dá aos vinhos um sabor de cinzas. No passado, isso afetou os vinhos de Napa e Sonoma, na Califórnia e na Austrália.

As altas temperaturas também podem queimar as uvas, que não amadurecem bem, além do estresse hídrico, que priva as vinhas de água suficiente para florescer. Os frutos reagem acumulando açúcar mais lentamente, o que atrasa o amadurecimento e a colheita. As uvas são menores, os rendimentos caem e a qualidade sofre.

E o verão europeu de 2022 está longe de acabar. Veja abaixo os prejuízos em cada país:

França

Produtores como os do Vale do Loire não parecem preocupados com fogo e fumaça. Mais ao sul, em Bordeaux, a história é diferente. Dois grandes incêndios começaram por volta do dia 12 deste mês, um ao longo da costa perto da cidade turística de Arcachon e outro em uma floresta de pinheiros ao sul de Bordeaux, perto dos vinhedos da região de Graves.

Um incêndio violento estava tão perto do pequeno vinhedo Liber Pater que a polícia ordenou que fosse evacuado no dia 18. Antes de sair, o proprietário Loic Pasquet criou barreiras para tentar bloquear as chamas.

Por sorte, o vento mudou, salvando suas vinhas da fumaça. O preço médio de seus vinhos tintos é de US$ 4 mil a garrafa, e a rara safra de 2015 sai por nada menos que US$ 33 mil.

Cerca de 20.900 hectares de floresta foram queimados, segundo dados oficiais divulgados na última sexta-feira. Milhares de pessoas foram retiradas da região e dois mil bombeiros e oito aviões com bombas de água continuam combatendo as chamas, embora a progressão do fogo tenha diminuído.

No início da semana, era possível sentir o cheiro de fumaça na cidade de Bordeaux.

Portugal

Nenhum vinhedo queimado foi oficialmente relatado, embora o site da Autoridade de Proteção Civil (ANEPC) tenha listado dezenas de incêndios ativos nos últimos 10 dias.

No Vale do Douro, famoso pelo porto, o calor tem sido brutal, com temperaturas recentes chegando a 47°C, as mais quentes desde 1941. A maior parte do país está em seca severa.

Rob Symington, cuja família tem 27 vinhas e oito adegas no Douro e no Alentejo, diz que o fogo não tem sido um problema, mas o calor vem reduzindo o tamanho das colheitas:

-As próximas quatro a seis semanas, até a colheita, serão cruciais. Se as temperaturas esfriarem um pouco e chover um pouco, a colheita pode ser positiva.

Espanha

Os mapas meteorológicos atuais da Espanha são completamente vermelhos, indicando temperaturas extremas em todos os lugares. Incêndios ardiam em regiões como Castilla y Leon, cujas estrelas são Vega Sicilia e Pingus, e Andaluzia.

Itália

No início deste mês, o governo italiano declarou uma grave emergência de seca em várias regiões do norte, incluindo Piemonte, famosa pelo Barolo, e Friuli, no extremo nordeste.

Os números-chave são 50% menos chuva do que o normal e três vezes mais incêndios do que em um ano médio, de acordo com Bill Terlato, CEO do Terlato Wine Group, que possui uma propriedade vinícola em Colli Orientali Friuli.

O calor também está afetando o sul da Itália, onde Antonio Capaldo, presidente da Feudi di San Gregorio na Campânia, estima que causará uma queda de 25% nos rendimentos.

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