Safras vê revisão para cima da colheita 2020 de café do Brasil

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Colheita de café em São João da Boa Vista (SP)
Colheita de café em São João da Boa Vista (SP)

SÃO PAULO (Reuters) - A safra de café do Brasil em 2020 deve ser revisada para cima, com uma maior oferta de grãos da variedade arábica observada após a colheita, à medida que as exportações estão fortes e os armazéns brasileiros continuam cheios, disse o analista Gil Barabach, da consultoria Safras & Mercado, nesta sexta-feira.

"Está pendendo mais para uma correção positiva do arábica, do que uma correção negativa do conilon", disse ele em live realizada em rede social, lembrando que a safra de conilon ficou abaixo das expectativas iniciais.

"As tradings já estão revisando os números para cima, estão falando acima de 70 milhões de sacas, 72 milhões, números acima do que estamos trabalhando, pela surpresa positiva do arábica", afirmou, sobre o tipo de café que responde pela maior parcela da colheita no principal país produtor e exportador global.

Em sua estimativa de outubro, a consultoria indicou a produção de café do Brasil em 68,1 milhões de sacas de 60 kg, acima da projeção oficial da estatal Conab, de 61,6 milhões de sacas.

Segundo o analista, os fatores que ajudam a apontar uma safra maior são as exportações de quase 4 milhões de sacas em setembro e as projeções de "embarques pesados" nos próximos meses, enquanto os armazéns seguem lotados.

Já para a safra do ano que vem, ano de baixa produtividade no ciclo bianual do arábica, a produção deve cair também pela seca registrada em boa parte deste ano.

"É difícil saber o tamanho da próxima safra, mas o patamar de referência de produção é 60 milhões de sacas... Um pouco antes das chuvas, conversando com produtores, traders e indústrias, estavam indicando que a safra poderia ficar abaixo de 60 milhões", afirmou ele.

Mas Barabach espera para ver a resposta dos cafezais a chuvas recentes antes de fazer qualquer projeção.

"Quanto mais se distanciar de 60 milhões, mais potencial de alta de preços tem para o ano que vem", afirmou.

"Os preços podem subir por conta da safra menor, é um novo ciclo que aponta menos oferta em 2021, o mercado ainda não precificou isso...", comentou, acrescentando que há espaço para as cotações internacionais avançarem.

(Por Roberto Samora)