Saga de fundador do site Megaupload vira filme

FERNANDA EZABELLA

AUSTIN, TEXAS (FOLHAPRESS) - A ascensão e queda de Kim Dotcom, considerado o maior pirata on-line pelo FBI, é tema de um novo documentário que pega carona em suas fotos e vídeos pessoais, além de barcos luxuosos e carros velozes, para contar as várias facetas do criador do extinto site Megaupload.com.

"Kim Dotcom: Caught in the Web", que fez sua estreia no festival SXSW (South By Southwest), aborda desde sua infância na Alemanha com um pai abusivo e suas aventuras de adolescente hacker, até os dias de hoje, na Nova Zelândia, onde aguarda em liberdade um processo de extradição para os EUA e virou ativista anti-espionagem governamental.

O Megaupload, que tinha no Brasil seu segundo maior número de usuários, habilitava a troca rápida de arquivos pesados, como as nuvens atuais, e era usado, por exemplo, para piratear filmes e séries. É acusado de prejuízos de mais de US$ 500 milhões a produtores de conteúdo.

O site foi fechado em 2012 após uma cinematográfica invasão policial na gigantesca mansão de Dotcom na Nova Zelândia, dando início a um imbróglio judicial.

"Brinco que fazer este filme foi quase como cursar direito", disse a diretora neozelandesa Annie Goldson. "Por fazer documentários nos quais normalmente é bastante claro quem são as pessoas horríveis, aqui foi mais complicado. Kim é bastante complexo."

Parte da batalha jurídica se deve à lambança feita pela própria polícia local, a mando do FBI, primeiro com um mandado de busca que foi considerado ilegal e depois com a descoberta de que sua internet estava sendo espionada pelo governo.

Mais curioso é adentrar na ostentação de Dotcom; ele fazia questão de se rodear de belas mulheres e champanhe, apesar de nunca ter nenhuma no colo e nem sequer beber, como repara um amigo. As imagens são dele, já que tinha sempre um fotógrafo ao lado. Entre as celebridades, aparece o jogador Ronaldo.

Foi justamente para ostentar que criou o Megaupload --Dotcom queria divulgar essas imagens entre amigos e viu a dificuldade de mandar arquivos pesados por e-mail.

"Fiquei surpreso que algo tão simples fizesse tanto sucesso, mas logo entendi seu potencial", afirma Dotcom.