Saiba como diminuir o risco de câncer no couro cabeludo

Constança Tatsch
·3 minuto de leitura

Câncer de pele é coisa séria. Isso costuma ser lembrado, principalmente, no verão. O que muita gente esquece é de falar de uma área do corpo sujeita ao problema e, ao mesmo tempo, ignorada. Médicos alertam que os casos da doença no couro cabeludo estão crescendo. Segundo o dermatologista Eduardo Mastrangelo Falcão, do Hospital São Vicente de Paulo, o maior problema é a demora para perceber as lesões.

— Tenho visto bastante paciente, alguns jovens, que têm tido câncer no couro cabeludo. Normalmente a pessoa não consegue ver, então um amigo, a companheira, podem reparar uma lesão que antes não estava lá. Muitos vêm encaminhados do cabeleireiro, que é um aliado e detecta essa lesão para a gente — explica Falcão.

O personal trainer Gustavo Franco, de 31 anos, foi alertado por uma de suas alunas, médica residente, que uma pinta na sua cabeça estava meio estranha. Ela fotografou e levou para seus professores, que o alertaram a procurar um médico. A biópsia foi feita e a preocupação, confirmada: era um câncer de pele do tipo carcinoma. Em novembro, Gustavo retirou o tumor.

— Ela era escura, bem pequena, como se fosse uma pintinha mesmo, no topo da minha cabeça, só veria abaixando. Sou calvo, branquinho e raspo a cabeça. Antes eu só passava protetor quando ia para a praia. Hoje eu uso o tempo todo. A gente não tem a cultura de fazer isso.

Segundo Eduardo Falcão, o câncer de pele no couro cabeludo não afeta somente quem é calvo. Pessoas com cabelo mais ralo, fios claros, até com a risca no topo da cabeça podem sofrer com o problema, especialmente pessoas louras, de pele branca e olhos azuis.

O importante é tentar diagnosticar o problema o mais rápido possível, como alerta Frederico Nunes, oncologista clínico do Grupo Oncoclínicas.

— Quanto mais precoce for feito o diagnóstico, menor a cirurgia e maior a chance de cura do paciente. Por isso, é bom lembrar e ter a avaliação feita pelo médico dermatologista de locais onde o paciente dificilmente vê, como couro cabeludo, atrás da orelha e entre os dedos — diz Nunes reforçando que “a prevenção é melhor remédio”.

Por isso, usar protetor solar em todo o corpo, inclusive na cabeça e atrás da orelha, usar boné ou chapéu (que não seja furadinho), não só na praia, mas também no dia ao dia ao ar livre, são cuidados valiosos.

Tratamento adequado

Quando se fala em câncer de pele, há duas principais divisões: o melanoma e o não melanoma. O segundo tipo é o mais frequente no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país.

O câncer de pele não melanoma pode ser, principalmente, o carcinoma basocelular (o mais comum e também o menos agressivo) e o carcinoma epidermoide. Ambos têm altos percentuais de cura, mas se não forem tratados adequadamente, podem provocar mutilações expressivas.

— Qualquer um desses tumores deve ter tratamento precoce. As cirurgias dos não melanoma têm objetivo de evitar grande área de abordagem, tornando a cirurgia mais mutilante, e a do melanoma precisa evitar a metástase — diz Frederico Nunes, oncologista clínico do Grupo Oncoclínicas.