Saiba como estão os veteranos do Brasil que vão à sétima Olimpíada em Tóquio-2020

Carol Knoploch
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Foi necessária verdadeira ginástica para Robert Scheidt, de 48 anos, bicampeão olímpico, se preparar para a Rio-2016. Casado com a também velejadora Gintare, de 38 anos, medalha de prata em Pequim-2008 e porta-bandeira de seu país, a Lituânia, na edição brasileira da Olimpíada, o casal se revezava entre as competições e a educação dos filhos Erik, de 11 anos, e Lukas, 8. Segundo Scheidt, o trato era: "quem estiver pior esportivamente, fica em casa cuidando das crianças". Não foram poucas as vezes que ele abriu mão de compromissos por ela. E vice e versa.

Para Tóquio-2020, o brasileiro, quarto lugar na última Olimpíada, na classe Laser, teve todo o tempo do mundo porque sua esposa, sétima colocada na Laser Radial, se aposentou das competições.

Ao lado de Formiga, de 43 anos, volante da seleção brasileira de futebol, duas vezes medalha de prata olímpica, eles serão os recordistas brasileiros com mais participações em Jogos Olímpicos: embarcarão para o Japão, em julho, para o sétimo evento.

— Sou muito grato por ter esse tempo para me dedicar a Tóquio — diz Scheidt, atleta mais condecorado do país com cinco medalhas olímpicas e que também poderá ampliar o próprio recorde com um novo pódio. — Dedezembro para cá, o calandério voltou e o fato de estar na Europa me ajudou nos deslocamentos, a ganhar ritmo de competição. Me sinto muito bem.

Scheidt mora na Itália e treina no Lago Di Garda. Durante o período mais crítico da pandemia, ficou em lockdown por dois meses e intensificou os treinos físicos.

No principal teste antes da competição no Japão, na semana passada, ele foi prata, em regata disputada em Villamoura, Portugal. Terminou a competição apenas um ponto atrás do alemão Philipp Buhl, o atual campeão mundial.

O brasileiro afirma que antes da pandemia estava um pouco distante "em termos de performance" dos melhores atletas da classe. Mas agora se colocou entre os 10 com chances de pódio.

Scheidt, que será o mais experiente do Time Brasil no Japão, compete em classe extremamente física, em que os barcos são iguais e a diferença entre o sucesso e o fracasso está no velejador. Seus antigos rivais são técnicos e o atual campeão olímpico da modalidade, o australiano Tom Burton tinha 6 anos quando Scheidt conquistou seu primeiro ouro, em Atlanta-1996.

Ele retornou à Laser em 2019, após quase três anos ausente, desde os Jogos do Rio. Nesse período de readaptação às novas técnicas e nova mastreação, cumpriu seu objetivo principal, que foi o índice para Tóquio.

— Não penso na minha idade — fala Scheidt, atleta regrado, que cuida do corpo, alimentação e descanso— Essa questão depende muito de cada um, do estilo de vida. A classe Laser é extremamente física mas esse não é o aspecto único. A experiência conta muito.

Chance de final

Atlanta-1996 foi histórica para Scheidt e para Formiga, que estreou em Jogos Olímpicos nos Estados Unidos. Formiga diz que a emoção de poder ir a Tóquio é igual e que o ouro tornou-se obsessão. A volante, que vive fase especial no Paris Saint-Germain, não alivia nos treinos. E prefere assim.

Após eliminar o pentacampeão Lyon, O PSG joga neste domingo contra o Barcelona, pela semifinal da Champions League. O primeiro jogo terminou empatado em 1 a 1.

— É jogando que me preparo. Não troco treino, massagem, gelo, nem sauna... Prefiro estar na ativa do que descansando. E estar na Europa, com calendário cheio, faz muita diferença. Acho que é por causa dessa minha força de vontade, de querer fazer tudo 100%, que ainda estou aí, na luta, em pé, correndo e buscando meus objetivos — fala Formiga. — É uma felicidade tamanha que contagia todo mundo da família aos amigos... Sou grata pela oportunidade e por ter saúde para jogar.

Formiga afirma que com Pia Sundhage, o Brasil tem chances de fazer História. Explica que a sueca “mexe” com as atletas, traz o trabalho “mastigado”, fácil de executar, mesmo com poucos treinos coletivos, e que além do conhecimento e currículo, valoriza o que cada jogadora tem de melhor. Confiança tornou-se a palavra da vez.

— Da maneira como trabalha, a satisfação de todos... a chance é grande. Ela mexe com a gente, acredita no futebol brasileiro, em nós. Creio PIAmente (com ênfase) que chegamos na final.

Rostos conhecidos

Faltando cerca de dois meses para o encerramento dos torneios classificatórios, o Time Brasil tem cerca de 210 vagas asseguradas para Tóquio. E nesta lista haverá outros rostos conhecidos do público. As convocações finais ainda serão conhecidas.

Enquanto o cavaleiro Rodrigo Pessoa, 48, dono de um ouro e dois bronzes olímpicos, corre atrás da classificação para a sétima Olimpíada, a oposta da seleção de vôlei, Sheilla, 37, está um à frente.

A bicampeã olímpica foi convocada pelo técnico José Roberto Guimarães e pode se tonar a única tricampeã olímpica entre as atletas. É remanescente do time de Pequim-2008, quando o Brasil enterrou o fantasma russo de Atenas-2004 e promoveu a virada da modalidade. Como ela, Duda Amorim, 34, armadora campeã Mundial em 2013 e eleita a melhor atleta do handebol do mundo na última década, deve chegar à quarta Olimpíada.

Duda, que sonha ser mãe, adiou aposentadoria e após Tóquio, sua última, trocará o Goyri da Hungria, pentacampeão da Champions Legue, pelo russo Rostov-Don.

— Será uma Olimpíada diferente, sem público. Mas Olimpíada sempre tem brilho — encerra Sheilla