Saiba como foi a cirurgia de Lula para retirar lesão na laringe

Lula retirou lesão na laringe (Foto: CARLOS COSTA/AFP via Getty Images)
Lula retirou lesão na laringe (Foto: CARLOS COSTA/AFP via Getty Images)
  • Lula descobriu lesão na laringe durante exames de rotina

  • Sete profissionais participaram da cirurgia

  • Procedimento foi feito em hospital na capital paulista

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou por uma laringoscopia para a retirada de uma leucoplasia, lesão branca na garganta, no último domingo (20), que ocorreu sem complicações.

Ele recebeu alta nesta segunda-feira (21), aproximadamente 12 horas depois da conclusão da operação, e está em sua casa, na capital paulista.

O procedimento foi feito no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e durou 40 minutos.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o petista recebeu anestesia geral e teve biópsia “em tempo real” para verificar se havia indícios de malignidade no pedaço extraído.

A lesão foi descoberta durante a realização de exames de rotina, no dia 12 de novembro deste ano.

De acordo com Luiz Paulo Kowalski, cirurgião de cabeça e pescoço que fez parte da equipe que realizou o procedimento no presidente eleito, a leucoplasia foi completamente retirada e enviada para análise imediata, ainda quando o paciente e a equipe estavam no centro cirúrgico.

“Um médico patologista muito experiente fez o que chamamos de exame por congelação e verificou que se tratava de uma displasia leve, de baixo risco”, disse ele, que também é professor titular de cirurgia de cabeça e pescoço da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Como a cirurgia foi feita

Ainda de acordo com o Estadão, para fazer o procedimento, não foi necessário cortes externos, e contou com a ajuda de um aparelho que usa laser para fazer a remoção da leucoplasia de forma mais precisa.

Kowalski explicou que a parte removida tinha cerca de cinco milímetros.

“A gente insere um laringoscópio e um microscópio cirúrgico pelo qual podemos ter uma visualização muito clara do aspecto e dos limites da lesão. Não é feita nenhuma incisão. São instrumentos muito delicados. Por isso que, algumas horas depois, o paciente já pode se alimentar e falar, desde que sem exageros.”

Além disso, foi preciso retirar “um pedacinho” de uma estrutura da região conhecida como falsa corda vocal “para facilitar a visualização e o acesso à área que seria operada.”

A leucoplasia tem 10% de chance de tornar-se câncer e, por isso, a equipe médica que acompanha Lula decidiu por removê-la para análise e por prevenção.

Em 2011, Lula teve um câncer na região da laringe. No ano seguinte, o presidente eleito concluiu o tratamento contra a doença, e os exames de rotina feitos neste mês mostraram completa remissão do tumor.

Além da equipe clínica de apoio, sete profissionais participaram da cirurgia.

Recuperação

Ao Estadão, o cirurgião afirmou que Lula deverá repousar a voz na primeira semana de recuperação, além de passar por sessões de fonoaudiologia por pelo menos 14 dias.

“Ele deverá fazer repouso vocal, mas pode conversar normalmente, participar de reuniões e falar ao telefone. O que ele não pode é exagerar, fazer esforço, gritar em discursos, falar por muito tempo, porque isso pode atrapalhar a cicatrização”, disse.

“Mas ele pode continuar participando das atividades de transição, isso não vai atrapalhar em nada, poderá opinar nas decisões. Mas terá que ser mais ouvinte para não forçar tanto a voz”, acrescentou.

O petista também terá de submeter-se a laringoscopia periódica por cinco anos para monitorar o eventual aparecimento de novas lesões. Segundo o especialista, no começo, será com intervalo de três a quatro meses, e, depois de um ano, o período entre um exame e outro poderá ser maior.