Saiba como pais e mães devem falar sobre suicídio com crianças e adolescentes

RIO — Depois de acidentes de trânsito, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. Os dados são da Organização Mundial da Saúde, relativos a casos reportados em 2016. Ainda segundo a organização, em todo o mundo, uma pessoa tira a própria vida a cada 40 segundos: no geral, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, número que supera o de mortes por malária ou câncer de mama, guerra ou homicídio.

Especialistas indicam que, ainda que não sejam determinantes, sinais como forte isolamento social, mudanças bruscas de comportamento, tristeza profunda, perda gradativa de prazer e interesse em coisas que tinha antes, frases como "eu não aguento mais", "preferia estar morto" ou "eu não posso fazer nada", preocupação com a própria morte ou falta de esperança, queda brusca no rendimento escolar sem motivo aparente ou abstenção frequente no trabalho e automutilação são comportamentos que podem ser indícios de que alguém está em sofrimento grave.

A médica Cheryl King, professora de psiquiatria da Universidade de Michigan, em entrevista ao portal de notícias da universidade, indicou algumas estratégias úteis para abordar esse difícil assunto com crianças e adolescentes.

Segundo King, sinais de alerta comportamentais para possíveis riscos de suicídio em adolescentes variam, mas podem incluir sinais de dor ou sofrimento emocional severo, por exemplo. "Além disso, podemos ver mudanças preocupantes no comportamento, como o afastamento de pessoas ou atividades em que costumam ter prazer ou desfrutar, ou podem começar a usar álcool ou drogas".

A psiquiatra elencou ainda algumas informações que podem ajudar pais e mães a encontrarem a forma mais segura e eficaz de conversarem com os filhos sobre suicídio. De acordo com King, o principal é lembrar que, antes que a conversa comece, os pais precisam gerenciar suas próprias emoções e somente iniciar o diálogo quando sentirem que conseguem manter uma postura calma e de escuta:

Mantenha os canais de comunicação abertos e seja diretoNormalize suas experiênciasOuça a angústia do seu filho e fique calmoAdote uma abordagem colaborativa e não dite a solução

Segundo King, caso a criança ou o adolescente diga ao pai ou à mãe que tem pensamentos suicidas, é importante que os pais apreciem a honestidade e coragem do filho em compartilhar algo tão difícil.

"Mantenha-o calmo, sente-se com seu filho e ouça as razões pelas quais ele está se sentindo assim. Deixe-o saber que você entende. Em seguida, considere os melhores próximos passos. Isso pode incluir consultar seu pediatra ou marcar uma consulta com um profissional de saúde mental. As crianças que expressam pensamentos significativos de suicídio ou que planejam uma tentativa de suicídio precisam de uma avaliação imediata. Isso pode envolver os serviços de saúde públicos", explicou.

Para a psiquiatra, outros adultos que lidam no dia a dia com a criança ou o adolescente também deve estar preparados para fornecer o apoio necessário.

"Podem ser professores, conselheiros escolares, treinadores, amigos, familiares e outros. Eu incentivaria todas as escolas de todo país a incorporar depressão, risco de suicídio ou exames de saúde mental mais amplos em seus programas de saúde. Quanto mais pessoas forem informadas, maiores serão as chances de ajudar jovens em risco", defendeu.