Saiba como será a nova música de Rebeca Andrade para apresentação no solo em Paris-2024

Rebeca Andrade, a melhor e mais completa ginasta do mundo na atualidade, vai aos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, com nova apresentação no solo. E Rhony Ferreira, coreógrafo da seleção brasileira feminina de ginástica desde 1990 e autor da icônica "Baile de Favela", dá pistas do que vem pela frente:

— É surpresa. Mas dou dica: terá um toque bem brasileiro e, como se trata dos Jogos Olímpicos de Paris, deve ter alguma coisa francesa também. A ideia é envolver o público que voltará ao ginásio — adiantou Rhony, que irá propor uma mudança radical em relação ao "Baile de Favela". — É para mostrar uma outra versão da Rebeca. Mas, a ginasta tem de se convencer de que esse é caminho. A verdade é que monto um esqueleto e vamos trabalhando em cima dele até a versão final. "Baile de Favela", como o público viu no ciclo de Tóquio, teve nove versões até à perfeição.

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Rhony conta que as pesquisas para a escolha de uma nova música para Rebeca começou há cerca de três meses. E que deve entrar em estúdio no início de dezembro para iniciar os testes de gravação. Segundo Rhony, que garante não ter a música fechada ainda, é preciso começar o ano de 2023 com a "ela na manga".

"Baile de Favela", que começa com abertura imponente com "Tocata e Fuga", do alemão Johann Sebastian Bach, e depois com o funk de MC João, está aposentado. Segundo regra recente da modalidade, uma ginasta pode manter uma coreografia por até quatro anos. Depois, tem de trocar. "Baile de Favela" estreou em 2019, na etapa de Stuttgart da Copa do Mundo

— Sei que não vai ser fácil porque neste ciclo impactamos o mundo. Eu mesmo fiquei surpreso. "Baile de Favela" caiu no gosto popular. Mas, dependo de uma palavrinha: inspiração. Enquanto ela não vem... Eu a chamo, inclusive, de Ângela Maria. Tô pedindo para a Ângela Maria vir comigo (risos). Sei que tenho um problemão. Mas é um problemão bom de resolver.

A proposta de mudança radical tem motivo: Rhony acredita ser difícil fazer algo parecido que cause o mesmo impacto. Então pensou em algo "inédito, bem diferente, o oposto mesmo". Citou a apresentação de Flavinha, do ciclo passado, em que misturou "Milord," de Édith Piaf, cancan e "La Vie En Rose", como exemplo de como pode usar referências francesas.

— Mas esta já foi. Não dá para usar de novo. Posso, talvez, pensar em uma nova versão para a Flavinha porque ficou muito bacana. Teve até uma gaita francesa gravada em estúdio — lembra ele.

No caso de Rebeca, desta vez, ele quer mais participação dela no processo. Isso porque o coreógrafo, normalmente, faz surpresa da música. Foi assim com "Baile de Favela" e com o remix de "Single Ladies", da Beyoncé, que levantou o público nos Jogos do Rio, em 2016.

— Conheço a Rebeca desde criança e sei do que ela é capaz. Para ela, precisa ter uma parte com batida em que ela possa dançar, se divertir e se expressar. Rebeca adora isso, tem rebolado, sensualidade. É uma menina muito coordenada, com bom ouvido e alegre. Já pensei em ter alguma referência do "Baile de Favela" para este ciclo, para ficar como uma marca registrada, mas ainda não sei. Tenho de fazer testes.

Vestimenta

Rhony conta que tem a ajuda essencial do produtor musical, arranjador e tecladista Misael Junior, bastante conhecido no mundo gospel. Eles "costuram" a música. Juntam melodias e batuques para "vestir" a coreografia das ginastas. E casam batidas e referências para saltos, giros e piruetas, ajudando as ginastas a entrarem no movimento no momento exato. Na ginástica, as combinações são essenciais. A trilha sonora é como se fosse um traje confeccionado sob medida para a estrela do espetáculo.

Rhony leva as ideias a Misael, que refaz partituras, monta arranjos e também pesquisa sons e melodias. Tudo tem de ser afinado, preciso e cronometrado.

— Sei que a Rebeca demora oito segundo na primeira diagonal de exercícios e tenho de cobrir isso. Depois, ela precisa de um respiro. E por aí vai — explica Rhony, também premiado pelo "Brasileirinho" para Daiane dos Santos, quando juntou o choro de Waldir Azevedo com o samba da Mangueira.

Ele lembra que a coreografia, a parte artística, fica para o final, quando ele vai ao ginásio treinar com as ginastas. Geralmente, a portas fechadas. Assim, elas têm liberdade de testar, errar e modificar o que quiser. É quando surgem os gestos, caras, bocas.

"Baile de Favela" se despediu das competições internacionais no último Mundial, em Liverpool, com medalha de bronze no solo para Rebeca. Em um primeiro momento, ela não gostou dos socos no ar, parte que o público curte e vibra e que, se pudesse, Rebeca manteria na nova série:

— É um ciclo que se encerrou. "Baile de Favela" vai ficar na memória de todos. Estou curiosa pelo que Rhony está pensando. Não tenho ideia ainda. Espero que seja igualmente impactante — disse Rebeca.