Saiba como será o programa de Lula para endividados

Eleito para um inédito terceiro mandato neste domingo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, durante sua campanha à Presidência da República, que era preciso adotar um plano para ajudar os brasileiros a saírem da inadimplência.

Segundo dados de uma pesquisa recente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) , o Brasil tinha, em setembro, 64,25 milhões de pessoas com o nome negativado. Ou seja, quase 40% da população adulta do país está nessa situação.

A equipe de Lula planeja lançar um programa de renegociação de dívidas focado nas famílias mais pobres. A ideia é incluir, além de contas de água e luz e outros serviços, também redes de varejo e bancos.

O programa, chamado "Desenrola", pretende renegociar até R$ 90 milhões em dívidas. Para isso, planeja-se a criação de um fundo garantidor entre R$ 7 bilhões e R$ 18 bilhões da União para permitir a renegociação das dívidas dessas famílias.

Outras pesquisas

Outra pesquisa — realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com dados de setembro — revelou que o endividamento segue uma curva ascendente no Brasil, com destaque para as mulheres: 80,9% delas têm débitos pendentes. O aumento foi de 5,9 pontos percentuais em relação ao mesmo mês de 2021. Já entre os homens, os endividados são 78,2%.

A maior parte das dívidas, independentemente do gênero, se concentra no cartão de crédito (85,6%). Em seguida, vêm os carnês (19,4%), o financiamento de veículos (9,6%), o crédito pessoal (9,1%) e o financiamento de imóvel (7,9%).

Os dados também mostraram que 79,3% das famílias estão endividadas, ou seja, têm débitos a pagar, como empréstimos, financiamentos ou compras parceladas. Além disso, 30% estão inadimplentes, com débitos que não foram quitados no tempo pré-determinado pelo contrato.

Dados divulgados pelo Banco Central (BC) também apontaram que o comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas chegou a 29,4% em agosto, maior índice da série histórica iniciada em 2005.