Saiba as diferenças entre acupuntura, ‘dry needling’, microfisioterapia e reiki

Priscilla Aguiar Litwak
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Sessão. Acupuntura e dry needling utilizam agulhas no tratamento

RIO — Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo— 18,6 milhões de pessoas (9,3% da população) convivem com o transtorno — e o mais depressivo entre os latino-americanos. Em tempos de aumento do estresse diário e acúmulo de funções, as terapias complementares e multidisciplinares têm feito a cabeça de muita gente, que busca diminuir as medicações contínuas e procura maior qualidade de vida. Nessa linha, tratamentos como acupuntura, dry needling ou agulhamento a seco, microfisioterapia e reiki estão cada vez mais em alta.

As quatro terapias atuam em “pontos gatilhos”, sendo as duas primeiras realizadas com agulhas, e as duas últimas com palpação. Além de trazer relaxamento, elas são indicadas principalmente para tratar dores. Apesar de terem benefícios semelhantes, são técnicas distintas, afirmam os especialistas. Exemplificamos aqui algumas dessas diferenças.

Terapias antigas, mas ainda na moda

A acupuntura é uma técnica milenar da medicina tradicional chinesa. Já o dry needling ou agulhamento a seco foi desenvolvido nos Estados Unidos em 1940 graças aos estudos aplicados de Janet Travell. O médico Marcus Vinícius Ferreira aplica as duas terapias combinadas em suas sessões. Ele explica que o agulhamento a seco utiliza a mesma agulha da acupuntura; e, segundo ele, as duas terapias se complementam. Na acupuntura, no entanto, as agulhas são colocadas em pontos precisos chamados de pontos à distância, que correspondem às extremidades (entre o cotovelo e a mão ou entre o joelho e o pé, por exemplo). Já no agulhamento a seco, é preciso fazer uma palpação local para determinar onde a agulha será aplicada.

— O agulhamento a seco é indicado para dores musculares, e a acupuntura é mais geral, para tratar doenças sistêmicas. No caso do agulhamento a seco, a agulha é colocada em um local muito próximo à dor, enquanto na acupuntura eu posso colocar uma agulha no pé para tratar uma dor de cabeça — explica.

Apesar de ainda ser considerado um método inovador, a microfisioterapia foi criada pelos fisioterapeutas e osteopatas franceses Daniel Grosjean e Patrice Benini em 1983 e tem como base científica a embriologia, área da biologia que estuda a formação do embrião. Assim como o agulhamento a seco, o fisioterapeuta especialista em microfisioterapia faz o exame de palpação para identificar os locais que devem ser trabalhados. Através de toques suaves em pontos específicos do corpo é possível identificar a causa primária de uma doença ou disfunção e ainda ajudar o organismo a promover a autocura.

— Existe uma interação dos músculos, do sistema nervoso e da emoção. Nosso organismo se autocorrige sem que se perceba, mas quando o trauma é muito grande ou o corpo não consegue identificá-lo ocorre uma memória desse acontecimento a nível tecidual, o que pode provocar dores e doenças. A microfisioterapia atua na eliminação dessas memórias — explica a fisioterapeuta Edikarla Silva.

Encontrada a “cicatriz”, o osteopata mostra ao profissional o caminho que a agressão percorreu no organismo. A partir daí, o estímulo manual desencadeia o processo de autocorreção da questão física e emocional, restabelecendo as funções normais do órgão. Além do toque, para ajudar a detectar os sintomas e traçar um diagnóstico, Grosjean e Benini desenvolveram mapas corporais específicos — similares aos meridianos da medicina tradicional chinesa.

A técnica é recomendada para dores agudas e crônicas, infecções, problemas do trato digestório e respiratório, disfunções hormonais, alergias e doenças do sistema nervoso.

Já o reiki é uma técnica japonesa criada na década de 1920, que utiliza a troca de energia para revitalizar e harmonizar o corpo, usando as mãos como fonte desta energia para ajudar a eliminar dores e restaurar a saúde. De acordo com a terapeuta Priscilla Saldanha, o reiki trabalha com pontos específicos, que são os chamados pontos de entrada de energia, mas também é possível que seja aplicado em algum local de dor do paciente.

— Não é necessário encostar as mãos na pessoa, o reiki é aplicado a uma distância de cinco a dez centímetros. Mas quem não tiver problema pode encostar também. Depende de como o paciente se sente — explica.

É indicado para dores crônicas, insônia, ansiedade e depressão.

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