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Saiba mais sobre a guerra na Síria

AP/Amel Emric

Saiba mais sobre a guerra na Síria

Qual a razão da guerra na Síria?

O início do conflito foi em Março de 2011. Em meio aos levantes anti-ditatoriais do Oriente Médio conhecidos como a “Primavera Árabe”, protestos contra o líder sírio, Bashar Al-Assad, começaram a pipocar na Síria. Inicialmente pacíficos, as manifestações ficaram violentas depois que um grupo de adolescentes doi torturado e morto após fazer pichações contrarias a Assad. Com o recrudescimento da violência nos protestos, o governo retaliou matando centenas de prisioneiros e prendendo e torturando outros tantos. Em Julho do mesmo ano, um grupo de militares desertou e criou o Exército Livre da Síria, que começou o combate a Assad e lutou por sua derrubada.

O que causou os primeiros protestos?

Inicialmente, repressão a liberdades individuais e uma economia em crise levaram as pessoas às ruas, mas diferenças religiosas e sectárias tornaram o conflito um banho de sangue. A Síria é majoritariamente um país sunita, mas é governado há décadas pelo clã Assad (primeiro por Hafez Assad, depois por seu filho Bashar), que é Alawita, um credo xiita

Quem financia a guerra?

Depois de seis anos de conflito, o envolvimento indireto e direto de grupos externos ficou claro. OS EUA não tiveram participação direta até Arile de 2017, quando 60 mísseis foram disparados contra instalações militares sírias nas quais haveria manipulação de armas químicas. Anteriormente, a gestão de Barack Obama forneceu apoio financeiro e logístico, mas não enviou tropas. Além disso, a diplomacia regional é complexa e fragmentada. A Síria tem o apoio do Irã e do grupo libanês Hezbollah, ambos xiitas como Assad, e do premiê russo Vladimir Putin. Arábia Saudita, Qatar, Turquia e outros apoiam mais ou menos diretamente os rebeldes anti-Assad. O exército Peshmerga, composto pela etnia curda, não participa diretamente da guerra contra Assad, mas combate o Estado Islâmico nos sul da Síria e Noroeste do Iraque.

Que outros grupos têm parte no confronto?

Além dos já mencionados Hezbollah, Exército Sírio Livre e Peshmerga e do Estado Islâmico, também o Jabhat Fateh al Sham, uma facção que se separou da Al Qaeda, que originalmente compunha o ESL.

Qual a dificuldade de acabar com o conflito?

A questão étnica é o primeiro empecilho. Bashar Al-Assad sabe que não pode largar o poder em nenhuma hipótese, porque a minoria alawita certamente seria exterminada num país controlado por sunitas, especialmente depois de uma guerra cruel como a atual. As alianças sunitas também são problemáticas porque tem ligações com Al Qaeda, Estado Islâmico e membros dissidentes desses dois grupos. Rússia e EUA dificilmente luterano do mesmo lado, porque a Rússia sabe que a queda de Assad pode ter um efeito dominó que rapidamente poderia chegar a grupos étnicos situados dentro da Rússia ou em adjacências. Os EUA, por outro lado, vêem a Síria como um desestabilizador na região, juntamente com o Irã. Além disso, uma disputa pelo poder no mundo árabe, que tem a Arábia Saudita de um lado e o Qatar do outro, torna as linhas ainda menos visíveis e a costura de um acordo mais difícil.

O dano da guerra até agora

– Pelo menos 13 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária. É a maior calamidade humanitária desde a II Guerra Mundial.
– 5 milhões de sírios são refugiados e outros 6 estão desalojados dentro da própria Síria; metade desses números são de crianças
– Cerca de 10% dos refugiados fugiu para a Europa