Saiba o que é histerese e como isso pode afetar o futuro do seu emprego

Carolina Nalin e Cassia Almeida
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RIO - Desemprego, recessão e, agora, histerese. Para descrever a crise prolongada pela qual atravessa a economia brasileira – em 2020, o país encerrou a pior década de crescimento econômico da sua História, crescendo mísero 0,3% ao ano em média, a menor taxa desde 1901 – os economistas tomaram emprestado um termo da física.

A histerese ocorre quando algo que tem caráter transitório se torna permanente. Quando o comportamento de uma matéria depende de sua trajetória precedente. É só pensar numa mola.

Se você a esticar com muita força e por muito tempo, ela ficará deformada e não voltará a se comprimir. Perderá sua capacidade de reação. É isso que alguns especialistas veem na economia brasileira hoje. O país está crescendo tão pouco e há tanto tempo que perdeu a capacidade de gerar empregos de boa qualidade.

Brasileiros que estão desempregados há muito tempo ou trabalhando em áreas aquém de sua capacitação também vivem essa situação, de incapacidade de reação. Esses trabalhadores ficam desatualizados e terão mais dificuldade de se reinserir no mercado de trabalho, mesmo que a economia volte a crescer com força no futuro.

– Para o jovem, gera-se um efeito permanente, na literatura chamado de cicatriz do desemprego – explica a economista Julia Braga, professora da UFF.

Especialistas afirmam que a alternativa, para o trabalhador, é procurar se atualizar e buscar áreas mais dinâmicas do mercado, como tecnologia ou o setor de saúde. Para o país, o governo tem que adotar políticas públicas de requalificação profissional de forma mais estruturada.

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