Saiba o que aconteceu com os principais alvos da Lava Jato de Curitiba

KATNA BARAN
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CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - A dissolução da força-tarefa da Lava Jato do Paraná, com a incorporação de parte de seus membros pelo grupo de atuação especial de combate ao crime organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal (MPF), gera incertezas sobre o destino das investigações ainda em andamento. Prestes a completar sete anos desde que a primeira fase foi deflagrada, em março de 2014, a apuração já resultou em 80 etapas e mais de uma centena de denúncias e ações penais -muitas delas ainda sem sentença proferida pela Justiça Federal de Curitiba, ou seja, que ainda demandam dedicação dos procuradores. A mudança no formato da equipe de investigação, anunciada no último dia 3, ocorreu após embate do grupo com o procurador-geral Augusto Aras, que tem o poder de renovar a autorização de funcionamento das forças-tarefas. Aras criticava a falta de formalização das forças-tarefas dentro do Ministério Público, enquanto os procuradores dizem que, agora, um grupo menor terá dedicação exclusiva aos casos da operação. Conheça, a seguir, os principais números da operação e saiba o que aconteceu com os principais alvos da força-tarefa. BALANÇO DA LAVA JATO Em sete anos, operação no Paraná gerou mais de uma centena de ações e condenações* 80 fases 179 ações penais 174 condenados (1ª e 2ª instância) 209 acordos de colaboração 17 acordos de leniência 1.455 mandados de busca e apreensão 295 mandados de prisão (temporária e preventiva) R$ 4,3 bilhões devolvidos aos cofres públicos R$ 14,8 bilhões previstos em multas decorrentes de acordos com pessoas e empresas R$ 111,5 milhões em renúncias voluntárias de réus * Os números se referem à operação no Paraná. A partir de 2015, as investigações e delações premiadas em andamento no estado geraram desdobramentos enviados a diversas partes do país, que tramitaram também em diferentes instâncias do Judiciário, como STF e Justiça Eleitoral. O outro grupo mais ativo é a força-tarefa da Lava Jato do Rio, que investigou suspeitas relacionadas ao ex-governador Sérgio Cabral e ao ex-presidente Michel Temer. ALGUNS DOS PRINCIPAIS ALVOS NA INVESTIGAÇÃO NO PARANÁ Alberto Youssef doleiro, pivô da operação Lava Jato Pena: condenado a 122 anos pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro e ao pagamento de R$ 50 milhões em multas, mas foi beneficiado pelo acordo de delação Prisão: preso em março de 2014, cumpriu dois anos e oito meses de prisão em regime fechado, mais quatro meses em casa, com tornozeleira eletrônica e, por mais dois anos, cumpriu regime aberto André Vargas ex-deputado pelo PT-PR, foi o primeiro político sentenciado na Lava Jato Pena: condenado na segunda instância a 19 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e multa de R$ 1,1 milhão Prisão: preso em abril de 2015, foi solto em outubro de 2018 e agora cumpre liberdade condicional Dario de Queiroz Galvão ex-presidente da Galvão Engenharia Pena: condenado a 20 anos e 6 meses de prisão na segunda instância por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e associação criminosa, fechou delação premiada Prisão: permaneceu três meses preso em 2015 e, após fechar acordo de delação premiada, cumpriu mais seis meses de prisão e agora está em regime semiaberto privilegiado, com uso de tornozeleira eletrônica Delúbio Soares ex-tesoureiro do PT Pena: condenado em segunda instância a seis anos de prisão por lavagem de dinheiro Prisão: preso entre maio de 2018 e setembro de 2019, passou para o regime semiaberto, com uso de tornozeleira eletrônica, mas, em novembro do mesmo ano, foi liberado após decisão do STF que determinou que condenados só passem a cumprir pena após esgotados os recursos Eduardo Cunha ex-deputado do MDB e ex-presidente da Câmara que abriu processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) Pena: condenado a 14 anos e 6 meses na segundainstância por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e a 15 anos e 11 meses na 1ª instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro Prisão: preso desde outubro de 2016, foi solto em março de 2020 por conta da pandemia, já que é idoso e corria riscos de contrair a Covid-19, e hoje cumpre prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica Fernando Soares lobista apontado como operador financeiro do PMDB (hoje MDB) no esquema Pena: condenando a 31 anos na segunda instância, teve a pena suspensa após firmar acordo de delação premiada Prisão: preso em novembro de 2014, foi solto após um ano, quando fechou acordo de delação premiada. Cumpriu mais um ano usando tornozeleira eletrônica, outro ano em prisão domiciliar, mais um ano com medidas restritivas, e seis meses de serviço comunitário Gim Argello ex-senador pelo PTB do DF Pena: condenado na segunda instância a 11 anos e 8 meses por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tentativa de obstruir as investigações, e a R$ 7,35 milhões em multa Prisão: preso em abril de 2016, foi beneficiado com o perdão judicial em 2019 pelo indulto natalino editado pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) João Claudio Genu ex-tesoureiro do PP Pena: foi condenado em segunda instância a 9 anos e 4 meses de prisão por corrupção passiva e associação criminosa Prisão: preso em maio de 2016 e solto cerca de um ano depois por decisão do STF, voltou à prisão em maio de 2018, quando foi condenado em segunda instância pelo TRF4. Liberado novamente em novembro do ano seguinte após decisão do STF que determinou que o cumprimento da pena só inicia após esgotados os recursos. João Santana ex-marqueteiro do PT Pena: condenado em segunda instância a 15 anos e 10 meses por lavagem de dinheiro Prisão: preso em fevereiro de 2016, foi solto em agosto do mesmo ano. Condenado no ano seguinte, fechou acordo de delação premiada. Cumpriu três anos de prisão domiciliar e, em setembro de 2020, passou para o regime aberto. João Vaccari Neto ex-tesoureiro do PT Pena: condenado em segunda instância a 37 anos e 4 meses por corrupção passiva em três processos, e absolvido em outros dois Prisão: preso em abril de 2015, foi beneficiado pelo indulto natalino concedido pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) e deixou a prisão em setembro de 2019, quando passou para o regime semiaberto, com uso de tornozeleira eletrônica. O TJPR, contudo, cassou o indulto e a decisão foi ratificada pelo ministro do STF, Edson Fachin, em outubro de 2020. José Aldemário (Léo) Pinheiro ex-presidente da construtora OAS, enquanto delator, apontou o ex-presidente Lula como dono do triplex no Guarujá Pena: condenado em segunda instância a cerca de 37 anos por corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução à investigação, firmou acordo de delação premiada que determinou que ele pague R$ 45 milhões em multas e reparação de danos Prisão: detido em novembro de 2014, foi solto meses depois, mas novamente preso em setembro de 2016. Teve o acordo homologado pelo STF em setembro de 2019, quando passou a cumprir pena em casa, com uso de tornozeleira eletrônica José Dirceu ex-deputado e ex-chefe da Casa Civil no governo Lula Pena: condenado em segunda instância a mais de 39 anos por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa Prisão: alvo da mais nova denúncia da Lava Jato, apresentada pelo MPF em fevereiro de 2021, foi preso pela primeira vez na operação em agosto de 2015. Depois de um vaivém de prisões e condenações, foi beneficiado pelo entendimento do STF sobre o início de cumprimento da pena e deixou a prisão em novembro de 2019 Luiz Argôlo ex-deputado federal (Solidariedade-BA) Pena: condenado em segunda instância a 12 anos e 8 meses e ao pagamento de R$ 2 milhões em multa por corrupção e lavagem de dinheiro Prisão: preso em abril de 2015, cumpriu quatro anos de pena em regime fechado, quando obteve liberdade condicional. Em julho do mesmo ano, teve um pedido de indulto negado Luiz Inácio Lula da Silva ex-presidente da República Pena: condenado em segunda instância em dois processos (sítio de Atibaia e triplex no Guarujá) a 29 anos e dois meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro Prisão: ficou preso entre abril de 2018 e novembro de 2019, quando o STF mudou o entendimento sobre a execução da pena a partir da 2ª instância. A defesa dele busca anular as ações alegando imparcialidade do ex-juiz Sergio Moro Marcelo Odebrecht Ex-presidente da Odebrecht Pena: condenado em segunda instância a 43 anos e 8 meses por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa Prisão: preso preventivamente em junho de 2015, foi condenado no ano seguinte, mas, em dezembro, fechou acordo de delação premiada. Deixou a prisão em dezembro de 2017, quando passou a cumprir pena em regime domiciliar. Seguiu para o semiaberto cerca de dois anos depois Nestor Cerveró ex-diretor da área Internacional da Petrobras Pena: condenado em segunda instância a 32 anos e 5 meses e, em primeira instância, a mais 6 anos e 8 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, se comprometeu a devolver R$ 17 milhões Prisão: preso em janeiro e condenado em maio de 2015, fechou acordo de delação premiada em novembro do mesmo ano. Foi cumprir a pena em casa, usando tornozeleira eletrônica. Paulo Roberto Costa ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Pena: condenado na segunda instância a mais de 75 anos por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, mas foi beneficiado por um acordo de delação premiada Prisão: cumpriu dois anos e cinco meses em regime fechado e, atualmente, continua no regime aberto, com restrições, mas sem uso de tornozeleira eletrônica. Pedro Barusco ex-gerente de Serviços da Petrobras Pena: condenado em segunda instância a 17 anos e 6 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e, em primeira instância, a 27 anos e 4 meses, teve as condenações suspensas por acordo Prisão: com o acordo de delação premiada, a pena foi cumprida inicialmente em regime aberto diferenciado, em casa, com uso de tornozeleira eletrônica. Em abril de 2018, retirou o equipamento, mas ainda deve apresentar relatórios e informar à Justiça sobre viagens. Pedro Corrêa ex-deputado federal e ex-presidente do PP Pena: condenado em segunda instância a 29 anos e 5 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro Prisão: preso em abril de 2015, passou a cumprir pena em casa a partir de março de 2017 devido a problemas de saúde. Como fechou acordo de delação premiada, passou para o regime semiaberto, com uso de tornozeleira eletrônica. Renato Duque ex-diretor de Serviços da Petrobras Pena: condenado a quase 140 anos por corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro Prisão: ficou preso por cinco anos, até março de 2020, quando seguiu para o regime domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Também não pode deixar o país ou entrar em contato com os demais investigados