Saiba o que são os 'mosquitos pretos' que estão infestando casas de moradores no Rio e em Niterói

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Há alguns dias, uma dúvida tem intrigado moradores de Niterói e do Rio de Janeiro, que compartilham um questionamento nas redes sociais: o que são os insetos pretos, um pouco maiores que mosquitos, que de repente estão invadindo as casas? Apesar de aparecerem em bandos, especialistas explicam que eles fazem parte da família Sciaridae e, portanto, são inofensivos.

A atriz Gyovana Lisboa, de 20 anos, moradora do bairro de São Francisco em Niterói, contou que os insetos começaram a aparecer em grande quantidade em sua casa no domingo, dia 9.

— No início, apareceram mais de 20, com certeza, tinha muito bicho, especialmente na cozinha e no corredor. O teto do meu quarto ficou infestado, parecia que eles estavam seguindo a luz — explicou Gyovana.

Intrigada pela aparição repentina dos insetos, a moradora de Niterói decidiu compartilhar em sua conta no Twitter que a casa estava infestada pelos "bichinhos pretos" e que não sabia de onde eles estavam vindo.

Ao falar sobre o assunto em sua rede social, diversas pessoas se identificaram com a situação. A postagem, feita na segunda-feira, dia 11, chegou a receber 109 compartilhamentos e 850 curtidas até esta quinta-feira, dia 13.

Em resposta à Gyovana, diversas pessoas contaram que também estavam percebendo a infestação de insetos em suas casas, mas não sabiam que era uma questão geral.

“Gente, eu já estava achando que era algum problema aqui de casa!”, disse Jéssica Ramos. “SIM, só ontem tinha uns 15”, concordou um outro usuário da rede social.

Marcelo Peixoto, entomólogo do Laboratório de Entomologia da UFRJ — área da Biologia especializada no estudo de insetos — reforça que os "bichinhos pretos" são inofensivos. Ele explica que o inseto faz parte da família Sciaridae, e que dela existem três gêneros comuns no país: Rhynchosciara, Sciara e Odontosciara.

Para descobrir com exatidão a espécie do inseto que está infestando as casas, Peixoto diz que seria preciso coletar alguns indivíduos e analisá-los. No entanto, ele ressalta que provavelmente são da espécie Rhynchosciara americana, que é comum em regiões do litoral brasileiro.

— Eles não apresentam riscos para a saúde. Existem alguns relatos de pessoas que dizem que já foram picadas, mas os Sciarídeos não têm peças bucais picadoras, e além disso eles se alimentam de fungos, raízes, matéria orgânica em decomposição. Provavelmente, esses relatos de picadas possam ser de outros insetos e que alguém tenha confundido — esclarece o pesquisador.

O entomologista da Fiocruz Rubens Pinto de Mello confirma que se trata de um membro da família Sciaridae e, portanto, não oferece riscos à saúde das pessoas. Entre os motivos que podem justificar a revoada inesperada da espécie, ele explica que pode estar a falta de predadores.

— A grande ocorrência desse inseto provavelmente se dá pela ausência de inimigos naturais. Existem mais de 200 espécies na região neotropical — diz Pinto de Mello.

Outro fator apontado por Peixoto para a grande quantidade de insetos, e para a forma como eles morrem rapidamente, é a maneira como a espécie se reproduz. Segundo o pesquisador, o clima acelera este processo reprodutivo.

— Clima quente e úmido ajuda insetos em geral a se reproduzir, e essas condições climáticas também são favoráveis para o crescimento de fungos, que são seu principal alimento. Em geral os adultos possuem vida curta, mas as larvas possuem o hábito de empupar (transformar-se no inseto) juntas, e consequentemente podem eclodir junto também, ou seja, grandes grupos de adultos sendo formados de uma só vez — explica Peixoto.

Estagiário sob a supervisão de Giampaolo Morgado Braga

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