Saiba onde os roubos aumentaram no Rio durante a pandemia

Rafael Soares
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Policial militar patrulha as ruas durante a pandemia

A pandemia derrubou os índices gerais de roubos no Rio. Após o início da vigência das medidas anunciadas pelo governador Wilson Witzel para combater o novo coronavírus, todas as modalidades de crimes contra o patrimônio caíram no estado. No entanto, um levantamento exclusivo do EXTRA revela as regiões onde, na contramão do restante estado, o crime avançou no período.

Os dados de registros de ocorrência — obtidos via Lei de Acesso à Informação junto à Secretaria de Polícia Civil — revelam, por exemplo, que os ataques a motoristas dobraram em Madureira, e que os roubos de carga cresceram 17% em Campo Grande, durante o período de isolamento social. Além disso, os roubos a estabelecimentos comerciais avançaram em duas áreas da Zona Norte do Rio: a da 23ª DP (Méier) — aumento de dois casos — e a da 39ª DP (Pavuna) — um caso a mais do que ano passado.

Os registros analisados vão do dia 17 de março — quando começaram a valer as primeiras medidas do governo contra o coronavírus — até o último dia 12 de maio. Seis modalidades de crimes foram examinadas e comparadas com o mesmo período de 2019: roubos de veículos, de carga, a pedestres, a estabelecimentos comerciais, no interior de ônibus e ataques a motoristas (roubos no interior de veículos). As áreas analisadas são as circunscrições das delegacias de todo o estado.

No caso dos roubos de veículos, a região que apresentou maior aumento foi a da 66ª DP (Piabetá), em Magé, na Baixada Fluminense, onde os crimes quase triplicaram. No período os registros passaram de 9, em 2019, para 26 este ano — um aumento de 188% durante a pandemia. Também na Baixada, a região sob responsabilidade da 61ª DP (Xerém), em Duque de Caxias, foi a que registrou a segunda maior variação nos casos: de 12 para 16, um aumento de 33%.

Quanto aos roubos de carga, em duas áreas os crimes dobraram em relação ao mesmo período do ano passado: as cobertas pela 53ª DP (Mesquita), na Baixada, e pela 31ª DP (Ricardo de Albuquerque), na Zona Norte do Rio — onde os casos passaram de 15 para 30, e de oito para 16, respectivamente. A região sob responsabilidade da 35ª DP (Campo Grande), na Zona Oeste, também registrou um aumento de 17% — de 28 para 33 casos.

Ataques a motoristas

Ataques a motoristas, que são registrados como roubos no interior de veículos, explodiram em Madureira, na Zona Norte, apesar das medidas restritivas e do isolamento social. Na área coberta pela 29ª DP, os casos passaram de 20 para 40 este ano, durante a pandemia. Na região da 19ª DP (Tijuca), os crimes do tipo também dobraram: passaram de três para seis este ano.

Em duas das modalidades avaliadas, os crimes diminuíram em todas as regiões do estado: roubos a pedestres e no interior de ônibus.

No período analisado, os roubos a pedestres caíram 76% em todo o estado, passando de 12.991 para apenas 3.016 casos. O período em que a queda foi mais brusca foi o mês de abril, quando 474 casos foram registrados— 82% a menos do que os 2.726 do ano passado.

Já os roubos de veículos apresentaram diminuição de 52% — 7.193 casos ano passado contra 3.437 este ano.

O Instituto de Segurança Pública (ISP) — órgão que divulga os índices do estado —, no entanto, alerta que “os indicadores podem apresentar queda por causa do distanciamento social, que ajuda na redução da criminalidade, e da diminuição dos registros das ocorrências”. Segundo o órgão, pode ter havido subnotificação, já que o atendimento presencial em delegacias foi suspenso no período.