Saiba os riscos e os prejuízos de jogar futebol sob efeito do gás lacrimogêneo

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"Não tinha condições, tanto que a gente não conseguia ficar dentro de campo, porque realmente ardia tudo. O olho, a garganta, o nariz, tudo". O relato do lateral Guga, do Atlético-MG, resume bem os efeitos do gás lacrimogêneo no corpo. Na quinta-feira, ele, os companheiros e os adversários do América de Cali, no entanto, tiveram de jogar mesmo assim pela Libertadores, enquanto manifestantes eram contidos pela força policial do lado de fora do estádio com bombas na Colômbia. Do ponto de vista esportivo já é algo condenável. Do ponto de vista médico, um absurdo e até um risco à saúde do atleta.

Ex-médico da seleção brasileira e especialista em medicina do esporte, Serafim Borges explica como o gás lacrimogêneo – composto de 2-clorobenzilideno malononitrilo, o chamado gás CS – prejudica um jogo de futebol de alta intensidade. Mesmo que as bombas sejam atiradas do lado de fora do estádio, o gás se dispersa com facilidade para o campo, atingindo todos os presentes.

– O gás lacrimogêno é um grande irritante das vias aéreas respiratórias inferiores e superiores, ou seja, nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios, pulmões... Por isso causa grande irritação na garganta, tosse e fica mais difícil respirar. Além de uma ardência muito forte nos olhos. Como se sabe para fazer qualquer atividade física intensa é preciso ter uma boa condição cardiopulmonar. Com a inalação de uma substância irritante como essa, obviamente o desempenho do atleta será prejudicado. Colocar alguém para correr sob efeito do gás é um crime. O jogador vai correr e inalar o gás, a capacidade funcional dele vai cair muito – diz Serafim.

Serafim ressalta ainda o risco de agravamento ou surgimento de problemas respiratórios que podem ser desencadeados pela substância. Ele explica que atletas com asma, por exemplo, já tem uma inflamação nas vias aéreas e podem ter uma crise séria por causa da irritação gerada pelo gás lacrimogêneo. Nestes casos, o atendimento tem de ser o mais rapidamente possível.

– O jogador também pode desenvolver uma crise estimulado pela substância e ter broncoespasmo (inchaço e fechamento das pequenas vias aéreas). É necessário uma equipe médica atenta para poder socorrer da forma adequada – afirma.

O especialista já viveu cenas semelhantes às de Barranquilla com a seleção brasileira. Num jogo na Argélia, confrontos nos arredores do estádio foram contidos com bombas de gás lacrimogêneo e atingiu o campo de jogo. Nestes casos, ele considera que o jogo deve ser paralisado até não ter mais a presença da substância no ar:

– Os responsáveis que permitem a continuação do jogo deveriam ser punidos.

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