Saiba porque a Lava Jato vai ser usada na Guerra Fria

Claudio Tognolli

 

 

 

 (U.S. Navy photo by Mass Communication Specialist 3rd Class Ford Williams/Released)

Nesta segunda-feira Trump completa 80 dias de governo.

Por que atacou a Síria e rompeu com o seu dictum “America First”?

Vamos entender a ótica republicana num papo cabeça…

Pode-se teorizar o tema naquilo que Nietzsche chamava deketten-denken, ou pensador em cadeia, o que serve para todo aquele que adapta, à sua maneira, qualquer estrato ideológico perdido por aí (ver aforisma 376 de Humano, Demasiadamente Humano). Os estrategos do Depto. de Estado, e demais think-tanks dos EUA, sabem bem como serem “deketten-denken”: o lance de Obama era o fim da história, com seu arranjo essencialmente “pax universalis” é meia-confecção, um arremedo, do que os republicanos tentaram aplicar à sua economia de guerra.

Por isso Obama não queria tutelar a chamada Pax Americana: intervir no mundo.

Como Trump pensa?

Nas escolas dos EUA se ensina ad nauseam , tecnicamente, o chamado conto do Sleep Hollow. Conta-se que o garoto Rip Van Winkle tirou uma soneca nas montanhas Catskill (lá onde nasceu Mike Tyson). E no seu sonho,  na  siesta de almoço, aparece Deus: que lhe diz (sic) que o Criador queria que os EUA tinham o “destino manifesto” de consertarem o mundo. Esse é o meme republicano.

Ao contrário da mansuetude proposta por Obama, o mundo friccional requer a guerra, pensa Trump.Tudo porque (o termo é retirado do Manifesto do Partido Comunista) vivemos de “procura e oferta [Nachfrage und Zufuhr]”. Sem guerra, não há mercado, vindica o “dictum” republicano. É o que de resto Nietzsche chamada de “Guerra e Arte” (“otium et bellum”). Esse é Trump, em essência.

O quadro não seria melhor para a volta do “wargasm”, até pela movimentação da indústria de informações digitais. Vejamos a obra Le bonheur economique, de Francois-Xavier Chevallier (Albin Michel, 1998, Paris). Ele nos conta coisas nada animadoras, com base nas teorias dos “ciclos”, do economista russo Kondratieff. Para o economista, avanço tecnológico e redução de tempo de produção resultam guerras e instabilidades bem localizadas – para lastrear a produção encalhada pela redução de seu tempo de manufatura. Nessa visão, a Revolução Industrial teria gerado, a partir de 1783, e seguindo o economista, o crack na Bolsa de Londres e a Revolução de 1830. A introdução da química do ferro, a partir de 1837, deu empuxo à Revolução de 1848, à Guerra de Secessão nos EUA e ao crack de Viena. A química pesada, no início do século, teria potencializado e gerado a Primeira Guerra Mundial, o crack de 1929 em Nova York e a Revolução de 1930, no Brasil.

Quando invadiu-se o Kossovo, em abril de 1999, para tirar-se da mídia o escândalo Monica Lewinski (a tese e do brilhante jornalista Phillip Knightley, autor de First Casualty), a então secretaria de estado dos EUA, Madeleine Allbrigth, comemorou que a antiga Iugoslávia seria um ótimo mercado para se escoar a produção dos EUA…Hosni Mubarak e Muamar Khadaffi serviram aos EUA dentro daquela ótica pela qual o ex-presidente Roosevelt definia o ditador nicaraguense como “um filho da puta, mas o nosso filho da puta”. ( ou OSOB, our son of a bitch)

Putin apóia Bashar Al Assad porque este é um FDP a seu serviço.

Seria muito difícil que resistisse ao chamado da guerra. Resta saber qual o novo inimigo que vão nos entuchar goela abaixo.

Lembram do caso Banestado?

Em 17 de agosto de 2004 a Polícia Federal deflagrou às 5 horas da manhã a Operação Faroleiro — conhecida também como Operação Polvo ou Farol da Colina. Foram mais de 750 homens distribuídos em sete estados brasileiros, a maioria em São Paulo e Rio de Janeiro. Só em São Paulo, foram alocados num hotel no centro da cidade cerca de 230 agentes federais oriundos de Brasília. Até às 11 horas daquele dia, 90 doleiros foram presos nos estados. Entre eles, o doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, então doleiros dos tucanos.

A Operação Faroleiro levava este nome em referência à conta-ônibus Beacon Hill, cuja tradução literal é “colina do farol”. A Beacon Hill é apontada como uma das maiores lavadoras de dinheiro no esquema do Banestado de Foz do Iguaçu, agência acusada de ter lavado em 4 anos, junto com o Banestado de Nova York, cerca de US$ 30 bilhões.

Nova Guerra Fria e Lava Jato

O procurador do caso Banestado, de Nova York, era Adam Kaufmann. Hoje ele é advogado de Julio Camargo.

No início de 2015, Julio Camargo foi condenado a catorze anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele não cumpriu a pena por conta do acordo de delação premiada com o Ministério Público. Trabalhou para fornecedores da Petrobras e afirma que pagou 137 milhões de reais em propina para partidários do PMDB (entre eles, Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados), PT, além de funcionários da estatal.

Bem…

Julio Camargo agora dá informes do Depto. de Justiça dos EUA sobre a compra super-faturada de Pasadena. Dilma não é ré, mas são Graça Foster e Gabrielli, ex-chefão da Petrobras. Há 15 dias houve depoimentos desse caso no Brasil: uma universidade da Carolina do Norte quer da Petrobras US$ 28 bilhões de indenização, por ter investido em Pasadena.

Trump quer que a Pax Americana seja não apenas paga pelo pagador de impostos dos EUA: nem pelos criminosos que cometeram crimes, como Pasadena, em território dos EUA. Demanda o ressarcimento, aos EUA, por todos os crimes, cometidos fora dos EUA, em dólar.

Toda essa grana terá de vier da Petros, o fundo de pensão da Petrobas.

O Brasil vai pagar a nova guerra fria: aquela estado de coisas que Raymond Aron (inimigo pessoal de Sartre) definia como “um período em que a guerra é improvável mas a  paz é imposssível”.