Saiba quais foram os principais pontos do julgamento de George Floyd até aqui

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As duas primeiras semanas do julgamento sobre a morte de George Floyd tiveram, até o momento, o roteiro esperado: testemunhas emocionadas, médicos explicando detalhes da morte e advogados e promotores apresentando seus casos ao júri. Floyd, um homem negro, morreu em 25 de maio do ano passado em Minneapolis, após um policial branco permanecer por quase 10 minutos ajoelhado em seu pescoço. O caso fez eclodir uma onda de protestos antirracistas e contra a violência policial nos EUA, que depois se espalharam por outras partes do mundo. Por isso, o julgamento do caso está sendo acompanhado tão atentamente, com direito a transmissão ao vivo --algo incomum nos EUA. Quem está no banco dos réus é Derek Chauvin, 44, o agente que ajoelhou em Floyd. O policial é acusado em três diferentes modalidades de homicídio e pode receber pena de até 40 anos de prisão. Além dele, outros três policiais envolvidos na ação que matou Floyd devem ser julgados em agosto como cúmplices de homicídio. O julgamento teve início no dia 29 de março e a previsão é que a atual fase, na qual defesa e acusação apresentam seus casos, ainda demore ao menos mais duas semanas. Depois desse período, o júri (formado por 12 titulares e 2 suplentes) irá debater a portas fechadas até chegar a uma conclusão unânime, o que pode demorar mais algumas semanas.  O que de mais importante aconteceu no julgamento até agora: 'Acreditem nos seus olhos', afirma Promotoria A promotoria abriu o julgamento exibindo o vídeo que mostra a ação policial, no qual Floyd afirma que não consegue respirar, mas é ignorado pelos policiais. "Acreditem nos seus olhos, isso foi um homicídio", disse aos jurados Jerry W. Blackwell, um dos responsáveis pela acusação. A frase serviu para resumir a tese defendida pelos promotores: de que as imagens não deixam dúvida que Floyd foi morto por Chauvin e o caso é claramente um homicídio, no qual não cabem dúvidas. Defesa diz que Chauvin apenas seguiu seu treinamento Já o advogado do policial apresentou uma versão diferente. Eric J. Nelson disse aos jurados que seu cliente apenas seguiu seu treinamento ao ajoelhar em Floyd e que a ação não causou a morte do homem. Segundo o advogado, Floyd pode ter morrido por outras questões, inclusive por problemas cardíacos ou de overdose. "O caso é claramente sobre mais do que 9 minutos e 29 segundos", disse ele -esse foi o tempo do vídeo exibido pela acusação na abertura. Testemunhas se emocionam A promotoria convocou como suas primeiras testemunhas uma série de pessoas que estavam presentes no momento da ação contra Floyd -e muitas se emocionaram ao relembrar os acontecimentos do dia. Darnella Frazier, 18, responsável por gravar o vídeo que viralizou da ação policial, por exemplo, disse ao júri que ainda tem pesadelos por não ter conseguido ajudar Floyd. Uma das pessoas que aparecem no vídeo pedindo para os policiais soltarem Floyd, Charles McMillian, 61, chorou ao testemunhar. "Não pude ajudar, me senti desamparado", resumiu. Novos vídeos do caso O júri também viu imagens até então inéditas das câmeras que os policiais envolvidos na ação carregavam. Na filmagem, Floyd é visto sendo confrontado pela polícia. Ele implora: "Por favor, não atirem em mim (...) Acabei de perder minha mãe". Ele também afirma que que não está resistindo e "fará tudo o que disserem". Na sequência, ocorre uma briga quando a polícia tenta colocar Floyd em um veículo. Ele começa a chorar e a resistir enquanto diz que está claustrofóbico e ansioso. Enquanto os policiais o arrastam para fora do carro e o prendem no chão, Floyd pode ser ouvido chamando por sua mãe e dizendo a seus familiares que os ama. Uso de drogas Um dos principais pontos levantados pela defesa ao longo do julgamento até aqui é que Floyd teria usado drogas antes da ação e que isso teria levado a sua morte. De fato, foram encontrados traços de metanfetamina e de fentanyl (um tipo de opióide) no organismo da vítima, e a namorada dele confirmou que o casal era usuário de drogas. Médicos convocados pela acusação, porém, disseram que não há indícios que Floyd tenha tido uma overdose. Segundo um deles, Floyd não seria capaz de falar com os policiais e provavelmente estaria inconsciente se estivesse nessa situação. Multidão atrapalhou os policiais, alega advogado Os advogados de Chauvin também afirmaram que o agente não conseguiu ajudar Floyd devido ao grande número de pessoas que cercou o policial no momento da ação. Segundo essa tese, por causa da multidão o agente não pode chamar uma ambulância para atender Floyd. Nelson, o advogado de Chauvin, indicou ainda que o policial pode ter ficado intimidado pelo grande número de pessoas e teria ficado receoso do que poderia ocorrer se ele soltasse Floyd. Qual a causa da morte? Uma das principais discussões do julgamento é qual foi exatamente a causa da morte. A promotoria convocou uma série de especialistas para mostrar que Floyd morreu por asfixia ao ter o pescoço esmagado entre o joelho de Chauvin e o chão. A defesa, porém, insiste na tese de que ele pode ter morrido por overdose ou por problemas cardíacos pré-existentes. O assunto deve continuar a ser tratado nas próximas semanas, quando os advogados devem chamar suas testemunhas para depor.