Saiba quais países já aprovaram a Sputnik V, que não teve aval da Anvisa no Brasil

DHIEGO MAIA
·4 minuto de leitura

GONÇALVES, MG (FOLHAPRESS) - A Sputnik V, vacina desenvolvida pela Rússia para conter a Covid-19, vem ganhando território no mundo, apesar de ter tido pedidos de aval à importação excepcional no Brasil negados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A agência brasileira recusou, nesta segunda-feira (26), o pedido feito por um grupo de governadores para importar e aplicar o imunizante russo na população de Bahia, Acre, Rio Grande do Norte, Maranhão, Mato Grosso, Piauí, Ceará, Sergipe, Pernambuco e Rondônia.

Segundo a Anvisa, a Sputnik V apresenta várias inconsistências técnicas no seu desenvolvimento que criam incertezas sobre a segurança da substância no combate ao coronavírus no organismo humano.

Um dia depois do parecer contrário da Anvisa, Kirill Dmitriev, diretor do fundo russo que financiou a Sputnik, chamou a agência brasileira de antiprofissional e mentirosa ao espalhar notícias falsas sobre o imunizante.

Dmitriev também afirmou que existe uma possível pressão política externa orquestrada pelos Estados Unidos para impedir a entrada da Sputnik em território brasileiro. "A intervenção externa é um dos elementos-chave desse comportamento [da Anvisa]", disse Dmitriev sem, no entanto, dizer nomes de autoridades ou laboratórios concorrentes que estariam nestas operações.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostrou que o governo Trump pressionou o Brasil a recusar a vacina russa contra a Covid-19. A informação consta de um relatório publicado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos americano em 17 de janeiro, três dias antes da posse de Joe Biden.

"Isso faz parte da política. O que ela [Anvisa] vem pedindo de documentação para nós é bem maior e diferente do que ela pede para outros órgãos reguladores e produtores de vacinas", afirmou Dmitriev.

Apesar da negativa da agência reguladora brasileira, a vacina russa já obteve autorizações emergenciais para ser aplicada em 62 países, segundo balanço do governo da Rússia. Mas só em sua terra natal o imunizante obteve aprovação completa, dada em agosto de 2020.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (27), a Rússia informou que o ministério da Saúde de Bangladesh, país de 163 milhões de pessoas, havia autorizado o uso emergencial da Sputnik. Com a inclusão do país asiático, a vacina russa foi incluída no rol de imunizantes para fazer a cobertura vacinal de 3,2 bilhões de pessoas contra o coronavírus.

"A Sputnik V ocupa o segundo lugar entre as vacinas contra o coronavírus em todo o mundo em número de aprovações emitidas por agências reguladoras governamentais", afirmou, por nota, o governo russo.

A informação, porém, não consta no painel atualizado do jornal The New York Times que mostrava até o início da tarde desta terça que a Sputnik era aceita em 28 países e ficava atrás das vacinas de Oxford-AstraZeneca (135 países), Pfizer-BioNTech (89 países), Moderna (37 países) e Sinopharm (33 países).

Entre as nações que aceitaram a Sputnik está a Índia, considerada o celeiro da produção mundial de vacinas, cuja população supera a dos Estados Unidos, da União Europeia e do Japão juntos.

A maioria dos governos adeptos da Sputnik são da África, do Leste Europeu, do Sudeste Asiático e da América Latina, com México, Argentina, Bolívia, Paraguai, Venezuela, Guatemala e Honduras na lista.

Além do Brasil, a Sputnik também não obteve autorização de uso nos Estados Unidos e nem pela EMA (Agência Europeia de Medicamentos, na sigla em inglês). Segundo a União Europeia, Hungria e Eslováquia permitiram o uso da Sputnik V de forma emergencial. Na Hungria, inclusive, a vacina já está sendo aplicada.

A negativa da Anvisa à importação da Sputnik V ocorreu em um contexto marcado por pressão e intenso lobby político pela aprovação da vacina russa. O pedido de liberação vinha sendo reforçado por membros da União Química --que tem uma parceria com a Rússia--, parlamentares e governadores, que alegavam que a Sputnik já era usada em mais países.

Esse é segundo pedido excepcional de importação de vacinas contra a Covid negado pela agência. Antes da Sputnik, a Anvisa negou pedido do Ministério da Saúde para a vacina Covaxin, da Índia, também alegando falta de dados mínimos.

A agência já aprovou outros cinco pedidos de uso emergencial ou registro de imunizantes contra a Covid. Estão na lista a Coronavac (Butantan e Sinovac), Covishield (produzida pela AstraZeneca por meio do Serum Institute, da Índia), Covishield (pela Fiocruz) e vacinas da Pfizer e da Janssen.

*

PAÍSES E TERRITÓRIOS QUE ACEITAM USO DA SPUTNIK V

1) Rússia

2) Belarus

3) Argentina

4) Bolívia

5) Sérvia

6) Argélia

7) Palestina

8) Venezuela

9) Paraguai

10) Turcomenistão

11) Hungria

12) Emirados Árabes Unidos

13) Irã

14) República da Guiné

15) Tunísia

16) Armênia

17) México

18) Nicarágua

19) Bósnia-Herzegovina

20) Líbano

21) Mianmar

22) Paquistão

23) Mongólia

24) Bahrein

25) Montenegro

26) São Vicente e Granadinas

27) Cazaquistão

28) Uzbequistão

29) Gabão

30) San Marino

31) Gana

32) Síria

33) Quirguistão

34) Guiana

35) Egito

36) Honduras

37) Guatemala

38) Moldova

39) Eslováquia

40) Angola

41) República do Congo

42) Djibouti

43) Sri Lanka

44) Laos

45) Iraque

46) Macedônia do Norte

47) Quênia

48) Marrocos

49) Jordânia

50) Namíbia

51) Azerbaijão

52) Filipinas

53) Camarões

54) Seychelles

55) Ilhas Maurício

56) Vietnã

57) Antígua e Barbuda

58) Mali

59) Panamá

60) Índia

61) Nepal

62) Bangladesh

Fonte: Governo russo