Redes de anestesista preso por estupro mostram armas, pet e romance

Médico Andrés Eduardo Oñate Carrillo se formou em universidade pública da Colômbia e veio fazer especialização no Hospital do Fundão

Anestesista colombiano é preso por abusar de pacientes no RJ (Foto: Reprodução/TV Globo)
Anestesista colombiano é preso por abusar de pacientes no RJ (Foto: Reprodução/TV Globo)

Preso por estupro de vulnerável e acusado de armazenar pornografia infantil, o médico colombiano Andrés Eduardo Oñate Carrillo, de 32 anos, chegou ao Brasil em 2017.

Formado pela Universidad de Magdalena, na cidade de Santa Marta, no Noroeste daquele país, veio para cá fazer uma especialização no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, no Fundão. Morava com a mulher, também médica, e com a cachorra de estimação, da raça pug, num apartamento na Barra da Tijuca.

Apesar de poucas postagens em seu perfil no Instagram — são apenas 133 fotos —, o médico fazia questão de compartilhar sua rotina num perfil aberto. As fotos misturavam momentos românticos e em família com registros onde aparecia empunhando armas. Há ainda imagens de outro hobby, a pesca.

A maioria dos posts se divide entre fotos do animal de estimação e da esposa — que já deletou sua conta na rede social. Uma das postagens que mais chama atenção é um vídeo produzido profissionalmente onde aparece, de joelhos, pedindo as mãos da mulher em casamento, em setembro do ano passado, diante da Torre Eiffel, em Paris. Além de exibir as alianças, as imagens mostram o casal dançando às margens do Rio Sena.

Quando estava em sua cidade natal, Valledupar, no nordeste da Colômbia, fotos mostram sempre a mesa repleta de parentes e amigos. No Rio, postava fotos com a companheira em pontos turísticos da cidade, como o Cristo Redentor, Jardim Botânico, Escadaria Selarón e AquaRio.

Com os colegas médicos, são poucas as imagens. Uma em outubro de 2019 e outra em março de 2020, na comemoração do aniversário do anestesista. A turma produziu uma festa de aniversário com salgadinhos, refrigerante e bolo customizado, com uma foto dele e os dizeres: "Aha, uhu, ô Andres eu vou comer seu...".

O anestesista colombiano também aparece em fotos em que exibia armas. Em uma delas, a legenda era com emojis de uma arma e de um coração.

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Em 2021, virou notícia em seu país em reportagem da Rádio Nacional da Colômbia, que o entrevistou ao receber a vacina contra Covid-19 no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Fundão. Segundo a investigação, um dos estupros ocorreu na unidade.

Em nota, a direção do Clementino Fraga disse que "está colaborando com a Coordenação de Relações Institucionais e Articulações com a Sociedade (Corin/UFRJ), que foi acionada para o caso, que está sob sigilo judicial. Não houve denúncias à nossa unidade".

Andres Carrilho ingressou em um curso técnico-prático (semelhante a uma especialização) em março de 2018 e concluiu em fevereiro de 2021. Este curso tem uma vaga oferecida a estrangeiros e segue uma rígida seleção, sendo coordenado pela CAE (Coordenação de Atividades Educacionais). Suas etapas foram percorridas regularmente assim como o número de horas-aulas exigidas.

O curso realizado resulta em um certificado que permite a ele participar de cirurgias e/ou procedimentos sempre com a supervisão de um profissional responsável. Para fins de registro no Cremerj como especialista no Brasil, "o certificado precisa ser reconhecido em seu país de origem".

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O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) informou que, após receber denúncias graves pela imprensa, abriu uma sindicância contra o médico colombiano. Segundo o órgão, "na época dos casos citados na matéria, Andres não possuía CRM e atuava de forma irregular, fato que também será apurado junto às unidades de saúde mencionadas". O Conselho considerou as acusações gravíssimas e disse que o caso será apurado com todo rigor e celeridade.

O Cremerj acrescentou que, como medida preventiva, após a citação de Andres na prisão, já agiliza os trâmites para solicitar imediatamente a interdição cautelar dele, a fim de evitar novos riscos à sociedade. Após a apuração dos fatos pelo Conselho, mediante análise da cópia do inquérito policial solicitada hoje, um processo ético-profissional (PEP) poderá ser instaurado para julgar o caso. Finalizado o rito processual, se considerado infrator, o médico pode sofrer a cassação do exercício profissional".