Saiba quem é o comandante da Guarda Presidencial investigado por impedir ação da PM durante atos terroristas

Comandante do Batalhão da Guarda Presidencial do Exército há quase 30 anos, o major Paulo Jorge Fernandes da Hora é investigado pela corporação após vídeo em que aparece discutindo com agentes da tropa de choque da PM-DF enquanto golpistas depredavam as sedes dos Três Poderes no último domingo. O oficial, responsável pela escolta do presidente Lula (PT) e proteção dos palácios presidenciais, é acusado de atrapalhar a ação dos oficiais e favorecer apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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No dia do ataque terrorista aos prédios dos três Poderes, o militar foi flagrado em vídeo onde aparece atrás de uma barricada feita com móveis do Palácio do Planalto e grita para os policiais: "O pessoal está descendo". Em outra gravação, em uma dependências do Planalto, ele retira um dos detidos que estava fardada. "Esse é nosso", afirma.

Após viralizar nas redes sociais o vídeo em questão, O GLOBO questionou o Exército sobre a participação do major no impedimento da ação da PM no último domingo. A corporação informou que o caso está sob investigação.

"O Centro de Comunicação Social do Exército informa que os fatos estão sendo apurados pelas autoridades competentes", diz o comunicado.

Quase 30 anos de serviço na corporação

Como major e à frente do comando do Batalhão da Guarda Presidencial, Paulo Jorge Fernandes da Hora recebe salário bruto de R$ 25.627,08. O militar fará 30 anos de corporação no próximo mês e já esteve nos postos de coronel e tenente-coronel.

Front da Presidência

O tradicional batalhão cumpre a missão de proteger os chefes de Estados brasileiros muito antes da redemocratização. Criado por Dom Pedro I em 1823 para consolidar a independência do Brasil e "manter a ordem'" em todas as unidades da federação, tem como missão executar a guarda e o cerimonial da Presidência da República, de Chefes de Estado e do corpo diplomático; ser empregado em Operações de Garantia da Lei e da Ordem; representar o Exército e o país em solenidades e eventos.

Na véspera da invasão e ataque ao Planalto, o GSI dispensou reforço no Batalhão da Guarda Presidencial. A determinação, feita por escrito, ocorreu cerca de 20 horas antes dos atos terroristas na sede da Presidência da República. Com a medida, o Gabinete de Segurança Institucional prescindiu de um pelotão composto por 36 militares que já estava no local desde a sexta-feira, dia 7. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Em mensagem na página do batalhão na internet, o comandante da unidade afirma que “uma das mais nobres missões” da organização militar é “guardar as principais instalações do Governo Federal e do Comando do Exército, na capital da República”.

Ação deixou terroristas impunes

Uma das articuladoras dos atos de domingo, Ana Priscila Azevedo, foi presa pela Polícia Federal apenas dois dias depois da destruição na Praça dos Três Poderes. A suspeita é de que ela tenha sido protegida.

Em vídeo gravado no interior do Palácio do Planalto, a bolsonarista aparece sentada no chão rodeada de soldados que vestiam a mesma farda do comandante do BCG. Nas imagens, ela apenas sorri, comemora e presta continência.