Saiba quem são as três vítimas da queda do avião na Bahia

Tuka e as duas irmãs foram as vítimas fatais até agora da queda da aernonave. (Foto: Reprodução)

Já são três o número de vítimas fatais da queda de um avião bimotor, na última quinta-feira (14), no município de Maraú, interior da Bahia. A aeronave, que havia saído de São Paulo, levava 10 pessoas e tentou pousar na pista de um resort de luxo no distrito de Barra Grande.

De acordo com informações da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o avião é um bimotor Cessna AirCraft, de prefixo PT-LTJ, modelo 550, fabricado em 1981.

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A aeronave está registrada em nome do banqueiro José João Abdalla Filho. Conhecido como Juca Abdalla, ele está entre os dez homens mais ricos do Brasil, com uma fortuna estimada em US$ 3,4 bilhões (cerca de R$ 14,2 bilhões), de acordo com a Forbes.

A Polícia Civil afirmou, em nota, que o acidente é investigado pela DT (Delegacia Territorial) de Maraú e pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da Aeronáutica. A Delegacia Territorial solicitou perícia no local do acidente e necropsia.

Quem são as vítimas do acidente:

  • Tuka Rocha, 36 anos, piloto de Stock Car

Em 2011, o piloto havia escapado de um incêndio em uma prova da Stock Car, no Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/Grande Premio)

Christiano Chiaradia Alcoba Rocha morreu no domingo (17), segundo confirmação da Sesab (Secretaria de Saúde do Estado da Bahia), sendo a terceira vítima fatal do acidente. O piloto estava internado no Hospital Geral do Estado, na capital Salvador, para onde foi transferido por uma aeronave do Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer) após ter sofrido queimaduras em 80% do corpo. O piloto de Stock Car havia passado por uma cirurgia que acabou às 2h de sexta-feira (15).

Em 2011, o piloto havia escapado de um incêndio em uma prova da Stock Car, no Rio de Janeiro. Na ocasião, Tuka Rocha saltou do carro em chamas e teve apenas ferimentos leves. O paulistano começou a pilotar kart ainda durante a adolescência. Depois, passou por outras categorias nacionais e internacionais, como Fórmula Superliga e A1GP.

Na Stock Car, ele competiu de 2011 a 2018. Tuka Rocha venceu uma prova da categoria em 2015, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O piloto de corridas era responsável pela Tuka Racing School, uma escola de pilotagem para crianças que tem o apoio do Instituto Ayrton Senna.

  • Maysa Marques Mussi, 32

Maysa faleceu na noite de sábado (16) e foi a segunda vítima. Ela é irmã da jornalista e relações públicas Marcela Brandão Elias, 37, que também morreu. Maysa casou-se em setembro com Eduardo Mussi, irmão do deputado federal licenciado Guilherme Mussi (PP-SP). O marido está internado no Hospital Geral do Estado (HGE).

Entre os padrinhos do casamento de Maysa e Eduardo estão a atriz Marina Ruy Barbosa e o marido, o empresário e piloto da Stock Car, Alexandre Negrão. A festa contou a presença de famosos como Carol Celico e o casais Elaine Mickely e César Filho e Roberto Justus e Ana Paula Siebert.

  • Marcela Brandão Elias, 37, jornalista

Marcela Elias (à direita) com a irmã Maysa Marques (à esquerda). (Foto: Reprodução/ Instagram)

Marcela foi a primeira vítima da queda da aeronave. Formada em jornalismo, Marcela trabalhava em uma assessoria de imprensa especializada em moda, beleza e cultura, em São Paulo. A RP (Relações Pública) viajava acompanhada do marido, o empresário Eduardo Trajano Elias, 38 anos, e o filho Eduardo, de 6 anos, ambos hospitalizados. Marcela era nora do decorador Jorge Elias.

  • Os feridos:

Aires Napoleão, 66 anos, que pilotava o jato

Fernando Oliveira Silva, 26 anos

Marcelo Constantino, 28 anos, neto do Nenê Constantino, fundador da Gol

Marrie Cavelan, 27 anos

Eduardo Mussi, irmão do deputado licenciado Guilherme Mussi

Eduardo Trajano Telles Elias, 38 anos, que era casado com Marcela Brandão Elias

Eduardo, 6 anos, filho de Eduardo e Marcela

Os sete permanecem internados no Hospital Geral do Estado, de acordo com a Sesab, que não informou o estado de saúde das vítimas. A reportagem apurou, no entanto, que Marcelo Constantino, neto do empresário fundador da empresa aérea Gol, sofreu queimaduras em 40% do corpo.

Os passageiros, de acordo com informações da prefeitura do município baiano, foram socorridos por funcionários do resort, que atualmente passa por uma reforma e não está em funcionamento.

Aeronave caiu em Maraú, na Bahia, na quarta-feira (Foto: Dudu Face/Camamu Noticias)

Como funcionam as investigações de acidentes aéreos no Brasil

​Quem pode ajudar com informações?

- Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), com licenças e certificados

- Fabricante da aeronave, com dados sobre o avião

- Sindicatos e outras entidades de classe, com informações sobre as empresas aéreas

Qual é o protocolo seguido?

NSCA 3-13 (Norma do Sistema do Comando da Aeronáutica), que consiste em:

1) Cenipa forma uma comissão de investigação

2) Preserva o local e indícios

3) Verifica os danos causados à/pela aeronave

4) Coleta e confirma dados

5) Faz um exame detalhado imediatamente após as ações de resgate

6) Gravadores de voo são enviados o mais rápido possível ao Cenipa

7) Cenipa conclui o relatório final da investigação

8) Autoridade aeronáutica o aprova

9) Cenipa deve torná-lo público em sua página na internet

Quem faz o quê?

O investigador

- Tem controle e acesso irrestrito à aeronave, aos destroços e a outros materiais, como gravadores de voo

- Deve estabelecer a coordenação com outros órgãos, como polícia, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Anac, Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), entre outros

A autoridade policial

- Deve isolar o local até a liberação pelas autoridades aeronáuticas e pelos agentes da perícia criminal

O operador ou proprietário da aeronave

- Deve prestar todas as informações e documentações solicitadas; se necessário, pode auxiliar na análise de dados

O Cenipa

- Deve fornecer informações relevantes às famílias e sobreviventes

O que acontece quando uma aeronave está desaparecida?

Assim que as buscas acabam, é iniciada uma investigação com os dados conhecidos. Se o avião não for encontrado 12 meses após a ocorrência, a investigação é concluída com os dados existentes

O que é a caixa preta?

É o conjunto de gravadores de áudio e de dados embarcados na aeronave e que em caso de acidente podem fornecer informações sobre o voo

O que é o gravador de voz?

É um dispositivo que capta e registra todos os áudios da cabine de uma aeronave. Com ele, pode-se saber, por exemplo, o que o piloto e o copiloto conversaram, o que o piloto disse à tripulação ou aos passageiros e até eventuais ruídos da aeronave que podem ser importantes na investigação de um acidente, como falhas mecânicas

O que o gravador de dados de voo registra?

A depender do modelo do avião, ele pode registrar dados técnicos como altitude, velocidade, pressão, aceleração, posição do avião, entre outros