Saída dos chefes das Forças Armadas deixa clara tentativa de golpe, diz oposição

Ana Paula Ramos
·3 minuto de leitura
Comandantes das Forças Armadas deixam cargo - Foto: Fábio Rodrigues Pozzobom/Agência Brasil/ Reprodução/Defesa TV
Comandantes das Forças Armadas deixam cargo - Foto: Fábio Rodrigues Pozzobom/Agência Brasil/ Reprodução/Defesa TV
  • Oposição diz que renúncia dos comandantes das Forças Armadas é "clara tentativa de golpe"

  • O Ministério da Defesa anunciou a saída dos comandantes das três Forças Armadas: Exército, Marinha e Aeronáutica

  • É primeira vez desde 1985 que os comandantes das três Forças Armadas deixam o cargo ao mesmo tempo sem ser em troca de governo

A renúncia dos três comandantes das Forças Armadas gerou um sinal de alerta no mundo político. Os chefes do Exército, Edson Pujol, da Marinha, Ilques Barbosa, e da Aeronáutica, Antônio Carlos Moretti Bermudez, entregaram os cargos após a demissão do ministro da Defesa, Fernando Azevedo, pelo presidente Jair Bolsonaro.

O Alto Comando das Forças Armadas teria apoiado a decisão de Fernando Azevedo de não usar a instituição politicamente e ceder ao impulso golpista do presidente.

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O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) avaliou que a saída dos três comandantes das Forças Armadas “deixa clara a tentativa de golpe” e, assim como outros políticos, cobrou o impeachment do presidente.

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Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, afirmou que Bolsonaro “nunca escondeu projeto golpista” e “só não entende quem não quer ver”.

“Esse projeto golpista do Bolsonaro... se as pessoas não entenderam isso, realmente não querem ver. Ou elas são a favor da ditadura que o Bolsonaro pretende estabelecer, ou vão ter que pagar no futuro o preço da omissão, de uma profunda ingenuidade. Me parece que esse projeto ontem se fragilizou um pouco”, disse em entrevista ao UOL.

O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) considerou preocupante a demissão dos comandantes. “As Forças Armadas são instituições de Estado, elas não pertencem a governos e nem a presidentes”, afirmou.

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Líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) acredita que essas mudanças não indicam um risco à democracia brasileira.

"Não vejo nenhuma intenção do presidente em politizar as Forças Armadas. Foi apenas um movimento de acomodação". "As Forças Armadas são o Estado brasileiro, não são o governo. O ministro Fernando Azevedo vinha fazendo um bom trabalho, mas foi pedido sua vaga para acomodar o general Braga Netto, que é mais próximo do presidente, alinhado com seu pensamento. Eu não vejo em nenhum momento a tentativa de politizar a ação das Forças Armadas brasileiras", acrescentou o deputado.

O vice-presidente, general Hamilton Mourão também negou que “ruptura institucional” com a demissão dos chefes das Forças Armadas.

Vice-presidente, general Hamilton Mourão (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Vice-presidente, general Hamilton Mourão (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)

'Pode botar quem quiser, não tem ruptura institucional; Forças Armadas vão se pautar pela legalidade, sempre', diz Mourão.

Comissão da Câmara quer explicações

A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados vai convidar o novo ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, a dar explicações sobre a crise atravessada pelas Forças Armadas no Brasil.