Saída de Moro do governo Bolsonaro repercute entre deputados, que veem “forte presidenciável” em 2022

Sérgio Moro deixa Ministério da Justiça e Segurança Pública. (Foto: Agência Brasil)

A notícia do pedido de demissão do ministro da Justiça, Sérgio Moro, repercutiu no Congresso Nacional.

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O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) considerou a saída do ministro como uma “perda irreparável” ao governo, mas avalia que o Moro “não pode sujar sua biografia” e “sai pensando em 2022”.

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“O governo perde um de seus principais pilares e pode entrar em um abismo com a perda de credibilidade popular. Durante a campanha, uma das bandeiras era o combate à corrupção. Moro, como juiz, dava ao presidente a credibilidade e sustentação que precisava. Moro, por sua vez, não pode sujar sua biografia e não pode se sujeitar a qualquer coisa. Não podemos negar que Moro é um presidenciável muito forte a partir de agora”.

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O ministro da Justiça, Sérgio Moro, cumpriu o que prometeu em reunião com o presidente Jair Bolsonaro, na quinta-feira (23): caso o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, fosse demitido do cargo, como comunicou o presidente, ele pediria demissão.

A decisão de Bolsonaro foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (24). No final da manhã, em uma entrevista coletiva, Moro anunciou sua demissão do governo.

O senador Major Olímpio (PSL-SP) parabenizou o trabalho do ministro da Justiça e alertou para o risco de interferência política na Polícia Federal.

“Sérgio Moro sai, deu pra ele, não suportou mais, sua paciência chegou ao limite. E no seu compromisso com o Brasil, jamais permitiria, enquanto ministro, interferência na Polícia Federal. Mas enganam-se aqueles que acham que vão interferir na Polícia Federal, nas investigações em curso ou nas que virão, podem tirar o cavalo da chuva; seja quem for, vai tratar com isenção e no limite da lei. Tenho certeza de que a Polícia Federal, polícia de estado, não de governante nenhum, e vai cumprir cumprir a lei, doa quem doer”.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que ontem chegou a lançar uma campanha “Fica, Moro”, lamentou a saída do ministro da Justiça.

"Sinto muito pela saída de Sérgio Moro do Governo. Não só por ser meu padrinho de casamento, mas principalmente pela sua conduta exemplar de cidadão, juiz e Ministro. Sempre terá minha profunda admiração, bem como a gratidão de todos os brasileiros de bem”, escreveu em sua conta no Twitter.

Já o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) acredita que “Moro viu a oportunidade perfeita para o descolamento que dá a ele a capacidade de manter o apoio ao seu nome por parte de outros segmentos que querem a agenda ultraliberal no seu controle: por exemplo, a grande mídia e seus financiadores”.

“O movimento se dá no momento em que Bolsonaro radicaliza a opção por uma das estruturas que dá sustentação ao seu governo: o fundamentalismo olavista. Para isso, precisa controlar com agentes linha dura e de confiança postos chaves como o comando da Polícia Federal”.

O deputado afirmou ainda que desconfia da justificativa apresentada por Moro e comentou sobre a possibilidade da candidatura do então ministro da Justiça à Presidência da República nas eleições de 2022.

“Moro nunca teve dificuldade em ser capanga da milícia; cumpriu com desenvoltura a tarefa de blindar Bolsonaro e seus filhos. A tese de que sai do governo porque não queria cumprir esse papel é uma ótima forma de limpar a barra de quem passa a ser alternativa eleitoral da direita”, destacou.

Em audiência na Câmara dos Deputados, em fevereiro, o deputado Glauber Braga afirmou que o ministro era um “capanga da milícia”. Moro rebateu e disse que o parlamentar era um “desqualificado”.