Saidiya Hartman é a primeira autora confirmada pela Flip 2022

A americana Saidiya Hartman é a primeira autora confirmada para a 20ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que ocorre de 23 a 27 de novembro. Professora da Universidade Columbia, ela se dedica a pensar a “sobrevida da escravidão” em livros como “Perder a mãe” (Bazar do Tempo), investigação original sobre consequências do comércio de pessoas escravizadas, e “Vidas rebeldes, belos experimentos” (Fósforo), reconstituição das trajetórias de jovens mulheres nos guetos negros de Nova York e da Filadélfia, entre 1890 e 1935. Hartman chama suas personagens de “pensadoras radicais” e “modernistas sexuais”.

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Em nota divulgada neste domingo (24), o diretor artístico da Flip, Mauro Munhoz, afirmou que “um projeto estético como o de Hartman tem muito a contribuir com a discussão sobre o que, no contato com a leitura, pode tornar-se visível e para quem”. Munhoz também a comparou à escritora britânica Bernardine Evaristo e à feminista americana Audre Lorde, que “se recusam a usar definições fáceis de negritude”. Segundo Milena Brito, uma das curadoras da Flip, “a escrita de Saidiya Hartman costura linguagem e fatos históricos com uma criatividade impressionante, o que faz sua obra ser um poderoso modo de ‘desabitar’ e ressignificar essas narrativas”.

Hartman não é uma acadêmica convencional. Suas pesquisas contestam “o poder e a autoridade dos arquivos” e inspiram poetas e artistas plásticos ao rejeitar a aridez da escrita acadêmica e “borrar as linhas entre História e imaginação”. Ela apareceu no clipe de “4:44”, de Jay-Z. Além de “Perder a mãe” e “Vidas rebeldes, belos experimentos”, a escritora tem outros dois ensaios editados no Brasil: “O fim da supremacia branca”, incluído em um volume da Fósforo, e “A trama para acabar com ela”, publicado na revista Serrote. O livro “Cenas de sujeição” será lançado este ano pela Crocodilo.

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Em entrevista ao GLOBO, em abril, Hartman explicou que se interessa “pelo que Foucault chamou de ‘saberes subjugados’ e pela política que não se organiza ao redor de líderes carismáticos”.

— Quero pensar o radicalismo negro a partir do chão de fábrica, pois muitas vezes as massas promovem mudanças radicais que só depois são teorizadas por intelectuais — afirmou.

Este ano, a Flip volta a acontecer presencialmente após duas edições remotas em virtude da pandemia de Covid-19. Pelo segundo ano consecutivo, a festa literária tem curadoria coletiva. O trio curador é composto pela editora Fernanda Bastos, da Figura de Linguagem, casa gaúcha especializada em literatura negra, pela professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Milena Brito e pelo crítico literário e professor da Universidade Princeton Pedro Meira Monteiro. O autor homenageado desta edição ainda não foi divulgado.

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