Saint Laurent ganha interpretação sexy pelas mãos de Anthony Vaccarello

Gilberto Júnior

Desde sua fundação, em 1961, a Saint Laurent faz viagens extraordinárias. Espanha, Marrocos, Rússia, Índia e o continente africano já inspiraram coleções da marca, que agora desbrava um novo território: o Rio. Na quinta-feira, a grife abre as portas de sua primeira loja na cidade, no shopping VillageMall, na Barra. Será vizinha da Gucci e da Bottega Veneta — todas parte do portfólio do Grupo Kering.

Para sua incursão carioca, a maison traz na bagagem as linhas feminina e masculina, além dos desejados acessórios. “Saint Laurent tem tanto a ver com atitude quanto com espetáculo”, explica o estilista belga Anthony Vaccarello, que chegou ao posto de diretor criativo da marca em abril de 2016, substituindo Hedi Slimane, responsável por revolucionar essa instituição francesa.

“O que Vaccarello faz é estilizar o legado de monsieur Yves Saint Laurent (morto em 2008). Ele é bom alfaiate e faz roupa para uma mulher que não é tão jovem, diferentemente de seu antecessor”, diz a consultora de moda Costanza Pascolato. “O Grupo Kering tem a habilidade de entender os movimentos do mundo. Acertaram mais uma vez ao colocar o designer nessa prestigiada posição”.

Na coleção feminina de verão 2020 — a que estará disponível no Rio —, o estilista resgata clássicos criados por Yves, como o emblemático “Le Smoking”, de 1966, que escandalizou conservadores e conquistou Bianca Jagger, Betty Catroux, Lauren Bacall e Catherine Deneuve. Nas mãos do belga, o look ganha até uma versão com paetês pretos e brilhosos. “É uma maneira ‘Rive Gauche’ (sinônimo de juventude e liberdade) de ver as roupas, uma combinação dos códigos mais icônicos”, comenta o estilista.

Vaccarello, que chegou a pilotar uma grife homônima e passou pela Versus (de Donatella Versace), também impregnou a Saint Laurent com sua ideia de sensualidade: muito preto, pernas em evidência e decotes vertiginosos. Segundo Costanza, tudo a ver com a estética que costuma render “curtidas” nas redes sociais. A modelo sul-mato-grossense Kerolyn Soares diz que se sente poderosa na passarela da grife. “Li que Chanel deu liberdade às mulheres e Yves Saint Laurent nos deu poder. É exatamente isso, uma sensação inexplicável. Vaccarello sempre preza pelo nosso conforto. Faz questão de perguntar se estamos seguras com o look. Ele nos quer exalando confiança.”