‘Sair da recuperação judicial agora é questão de dias’, diz presidente da OAS

Henrique Gomes Batista

SÃO PAULO. Exatamente cinco anos após a prisão de seu então presidente, Léo Pinheiro, a OAS firmou seu acordo de leniência com a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) no valor de R$ 1,92 bilhões nesta quinta-feira. Para muitos próximos da empresa, essa coincidência faz com que o 14 de novembro marque não apenas um dos piores momentos da companhia, mas agora também um marco de sua retomada.

- Na nossa cabeça foi uma fase que passou. Agora é a segunda fase, a saída da recuperação judicial, que esperamos para questão de dias - disse ao GLOBO Josedir Barreto, presidente da OAS.

Ele acredita que a leniência da forma que foi fechada, com 28 anos de prazo de pagamento respeitando a nova estrutura da empresa, dará um novo acesso à OAS a contratos, financiamentos e seguros. Mais que melhorar a situação na conquista de obras públicas, o acordo tende a facilitar que contratos com privados sejam fechados.

- Isso é a prova que estamos fazendo bem nosso trabalho, nos últimos dois meses conquistamos obras de R$ 600 milhões. Hoje temos 21 contratos ativos - disse.

Em sua opinião, a leniência não tem nenhuma relação com a recuperação judicial, mas agora ele também vê um fim mais próximo do processo. Depois que a OAS pagou, no dia 4 de novembro, mais uma parcela do acordo de R$ 13,6 milhões, Barreto acredita que restam questões processuais para a empresa sair do processo.

Barreto afirma que a empresa também tem conseguido administrar melhor a atual situação com credores e dívidas pequenas e antigas. Há alguns meses, fornecedores chegaram a pedir a falência da empresa por atrasos de contratos de até R$ 15 mil. Barreto afirma que a recuperação judicial nunca correu riscos por causa destas cobranças, que são normais a todas as empresas. Mas ele afirma que mesmo estes pequenos problemas estão diminuindo.

- Isso é o dia a dia de qualquer companhia. Quando menos você espera vem uma cobrança trabalhista, alguém alegando um crédito por uma obra antiga. Mas saindo da recuperação judicial, isso volta à normalidade de todas as empresas - disse ele.