Salário mínimo perde poder de compra em relação a botijão de gás. Entenda

Comprar um botijão de gás tem ficado cada vez mais difícil, principalmente para as famílias mais pobres. O impacto do GLP no orçamento pesa e o salário mínimo perdeu o poder de compra do combustível ao longo dos anos. Enquanto em 2020 o piso nacional salarial era suficiente para custear até 14 botijões de 13kg, os atuais R$ 1.212 compram apenas dez.

Os dados são de um levantamento da subseção da Federação Única dos Petroleiros (FUP) no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos preços acompanhados pela Agência Nacional do petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

2019

- Salário mínimo - R$ 998

- Poder de compra do GLP - 14,4 botijões

2020

- Salário mínimo - R$ 1.045

- Poder de compra do GLP - 14,8 botijões

2021

- Salário mínimo - R$ 1.100

- Poder de compra do GLP - 12,2 botijões

2022

- Salário mínimo - R$ 1.212

- Poder de compra do GLP - 10,7 botijões

Segundo os cálculos, de janeiro de 2019 a outubro de 2022, o preço do gás de cozinha aumentou 62% para o consumidor, passando de R$ 69,20 para R$ 112,13, em média. Com isso, o GLP subiu mais do dobro da inflação, de 25,3% no período. Enquanto isso, o salário mínimo, sem ganho real, teve reajuste de 21,4%.

No fim de setembro, a Petrobras anunciou que o preço médio de venda do GLP para as distribuidoras cairia 6,01%. Assim, o botijão de 13kg passou de R$ 52,34 para R$ 49,19. Mas o alívio ao consumidor vem devagar: na semana do reajuste, o preço médio, apurado pela ANP, era de R$ 113,25, enquanto o do levantamento mais recente, apurado entre os dias 16 e 22 de outubro, é de R$ 110,99.