Saldo de mortos em ataques na Nigéria sobe para 200

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(Arquivo) Patrulha de soldados após ataques no noroeste da Nigéria, em outubro de 2019 (AFP/-)

A Nigéria informou neste domingo (9) que vários ataques promovidos por homens armados nesta semana no noroeste do país deixaram ao menos 200 mortos e milhares de deslocados, um duro golpe para a tentativa das autoridades de restaurar a ordem.

Os pastores e agricultores deste país, o mais populoso da África, se enfrentam há anos na área central e no noroeste, mas alguns grupos evoluíram e se tornaram gangues criminosas que são conhecidas como "bandidos".

Esses grupos atacam aldeias, assassinam e sequestram para pedir resgates.

"É horrível e trágico. Mais de 200 pessoas foram enterradas hoje (domingo) devido à invasão de bandidos", declarou Sadiya Umar Farouq, ministra de Assuntos Humanitários, citada pelo seu porta-voz Nneka Ikem Abiebeze.

"Também estamos preocupados com as centenas de pessoas deslocadas que fogem de suas comunidades", acrescentou.

Segundo a funiconária, mais de 100.000 pessoas foram deslocadas de "suas casas que ficaram destruídas pelos bandidos, enquanto há dezenas de desaparecidos".

No sábado, quatro moradores locais disseram à AFP que ao menos 140 pessoas foram assassinadas por grupos de homens armados em cerca de dez cidades do estado de Zamfara.

As quatro testemunhas afirmaram que compareceram aos funerais das vítimas em suas respectivas cidades.

Segundo relataram, centenas de homens armados em motos invadiram várias cidades nos distritos de Anka e Bukkuyum, entre quarta e quinta-feira, atirando nos moradores e saqueando e incendiando casas, afirmam os habitantes.

- Ataques de represália? -

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, condenou no sábado em um comunicado os ataques desta semana, mas não citou o saldo de mortos.

O centro e o noroeste da Nigéria são há anos bases de gangues criminosas que atacam aldeias, assassinam ou realizam sequestros para pedir resgates.

O governo nigeriano classificou na quarta-feira como "atos terroristas" os ataques geralmente realizados por esses "bandidos" e anunciou um reforço da lei contra seus autores, assim como contra seus informantes e apoios.

As forças armadas nigerianas reportaram esta semana que mataram 537 "bandidos armados e outros elementos criminosos", prenderam 374 desde maio do ano passado e libertaram 452 "civis sequestrados".

Segundo o analista Kabir Adamu, da Beacon Consulting Nigéria, as mortes denunciadas pelos moradores poderiam ser uma resposta a essas operações policiais e militares.

A população local afirma que os ataques foram uma represália a uma ação de segurança contra uma caravana de bandidos que tentava buscar outra base de operações.

A existência dessas gangues começou a aparecer na imprensa internacional no ano passado, depois que um grupo sequestrou centenas de estudantes em uma série de sequestros em massa em escolas e universidades.

Muitas vezes, os estudantes são libertados rapidamente em troca de um resgate, mas segundo a ONU em setembro ainda havia 200 jovens desaparecidos.

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