Salma Hayek detalha sua terrível experiência com Weinstein

A atriz Salma Hayek contou ao New York Times o assédio sofrido durante a produção do filme "Frida"

A atriz Salma Hayek se uniu nesta quarta-feira (13) a lista de centenas de mulheres que denunciaram Harvey Weinstein, alegando que o magnata de Holywood a assediou sexualmente e até a ameaçou de morte.

"Durante anos foi meu monstro", escreveu a estrela mexicana em uma matéria publicada no The New York Times que detalha a tortuosa produção do filme "Frida" de 2002, pelo qual concorreu ao Oscar de Melhor Atriz.

Quando a produtora de Weinstein fechou um acordo para financiar o filme que Hayek sonhava em fazer, a atriz teve que começar a "dizer que não", segundo contou no artigo.

"'Não' para abrir a porta a qualquer hora da noite, hotel após hotel, locação após locação", relatou a atriz e produtora de 51 anos.

"'Não' para (a proposta de) tomar banho com ele. 'Não' para deixar que me veja tomar banho. 'Não' para que eu deixe ele me massagear. 'Não' para que eu deixasse um amigo seu sem roupas me massagear. 'Não' para deixar que ele fizesse sexo oral em mim. 'Não' para que eu ficasse nua junto a outra mulher."

A "ira maquiavélica" de Weinstein foi demonstrada todas as vezes em que ela se recusou e uma vez incluiu "as terríveis palavras 'vou te matar, não acredite que eu não possa fazer isso'", contou.

Depois de se esquivar dos pedidos de Weinstein para que a produção do filme não fosse afetada, desde que as filmagens começaram o assédio sexual parou, disse Hayek, "mas a raiva se intensificou".

O produtor criticou a sua atuação e aceitou deixá-la terminar o filme apenas se fizesse uma cena de sexo com outra mulher. Então, exigiu que ela fizesse "nudez frontal completa", lembrou Hayek, que ao filmar a cena sofreu um ataque de nervos e teve que tomar um calmante.

Quando as filmagens acabaram, Weinstein disse que o filme não era bom o suficiente para ser lançado nos cinemas e ameaçou lançá-lo diretamente em DVD.

"Frida", um filme biográfico aclamado pela crítica, conta a história da pintora mexicana Frida Kahlo. Ganhou dois Oscar e arrecadou mais de 56 milhões de dólares nas bilheterias.

"Até que haja igualdade em nossa indústria, com homens e mulheres que tenham o mesmo valor em todos os aspectos, nossa comunidade continuará sendo um terreno fértil para predadores", ressaltou Hayek.

"Os homens assediavam sexualmente porque podiam. Nós mulheres falamos hoje porque, nessa nova era, finalmente podemos".