Salvas em todo Reino Unido em homenagem ao príncipe Philip

Pauline FROISSART
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Salvas de canhão saudaram neste sábado (10) a memória do príncipe Philip em todo o Reino Unido, um dia depois da morte do marido da rainha Elizabeth II, que perdeu seu apoio mais fiel.

Na Torre de Londres, às margens do Tamisa, nos castelos de Edimburgo, Belfast, Gibraltar e os navios da Royal Navy, onde Philip serviu durante a Segunda Guerra Mundial, o som dos canhões ressoou às 12h00 (08h00 no horário de Brasília) na primeira das 41 salvas previstas.

A dois meses de completar 100 anos, o duque de Edimburgo morreu "pacificamente" no Castelo de Windsor, oeste de Londres, na manhã desta sexta-feira (9).

A rainha manifestou sua "profunda tristeza" pela perda de quem foi seu esposo por mais de 70 anos e pai de seus quatro filhos (Charles, Anne, Andrew e Edward).

Conhecido por dizer o que pensava, o príncipe Philip chamava a atenção pelos seus comentários provocadores, às vezes vistos como racistas ou machistas.

Os britânicos, no entanto, também se lembram de sua incansável devoção à monarquia, na qual ele contribuiu para modernizar e humanizar, além de sua presença - em segundo plano, mas infalível - ao lado da rainha.

"Ele representava a estabilidade, mas também a diversão, o senso de humor, que às vezes parece que perdemos", disse à AFP Heather Bridge, de 65 anos, perto da Torre de Londres.

Nos jogos da Premier League de futebol haverá um minuto de silêncio em homenagem ao príncipe.

Na sexta-feira à noite, os sinos da abadia de Westminster, onde ele se casou em 1947, tocaram 99 vezes, uma por minuto, em homenagem ao príncipe de 99 anos.

Por "respeito à rainha e à família real", os unionistas norte-irlandeses pediram o fim das manifestações que abalam a província britânica há vários dias, mas sem conseguir evitar alguns confrontos.

Seu retrato, sozinho ou acompanhado pela sua esposa, estampa todas as primeiras páginas dos jornais neste sábado com as datas que marcaram seu século de vida: 1921-2021. "Todos choramos com você, senhora", escreveu o jornal The Sun, publicando uma foto em primeiro plano do casal real em seu casamento.

- "Sempre estava ali" -

O príncipe Philip foi o "servidor mais leal" do país, segundo o jornal conservador The Telegraph, e um "duque indomável", de acordo com o tablóide Daily Express.

As televisões suspenderam sua programação normal para consagrar especiais sobre o príncipe, e seus filhos compartilharam memórias em um programa especial divulgado pela BBC.

Sua filha Anne descreveu um pai que "sempre estava ali". "Se você tinha problemas, sempre podia recorrer a ele sabendo que te ouviria e tentaria te ajudar", disse.

Desde o anúncio de sua morte, as mensagens de condolências se multiplicaram no mundo inteiro enquanto o público se aproximava dos palácios de Windsor e Buckingham, residência oficial da rainha em Londres, para depositar mensagens e flores.

Sua morte marca o fim de uma época, afirmam alguns, em um momento em que o país busca uma nova identidade após o Brexit.

"Ele representava a estabilidade. Sou idosa e por toda a minha vida ele esteve lá", explicou à AFP Christine Playle, uma inglesa de 75 anos, em Windsor.

O príncipe Philip participou em mais de 22.000 compromissos públicos oficiais desde que sua esposa chegou ao trono em 1952. Uma dedicação à qual Elizabeth II homenageou, confiando publicamente que ele foi sua "força" e seu "apoio".

Neste sábado, a conta do Twitter da família real compartilhou várias fotos da rainha com seu marido em momentos significativos em suas vidas.

O papa Francisco enviou uma mensagem de pêsames à rainha e ressaltou "a dedicação do príncipe Philip ao casamento e à família".

Matt Smith, que interpretou o jovem príncipe Philip na série da Netflix "The Crown", se juntou às homenagens. "Obrigado pelo seu serviço, amigo, não será a mesma coisa sem você", disse o ator.

- Flores em Windsor -

Os príncipes Andrew e Edward visitaram neste sábado sua mãe Elizabeth II no Castelo de Windsor. "A rainha está fantástica", disse à imprensa a condessa de Wessex, Sophie, esposa do príncipe Edward, ao sair do castelo.

A monarca, que completará 95 anos em 21 de abril, deve enfrentar sozinha a crise que atinge a família real britânica, que ocorre em meio às recentes críticas de seu neto Harry e a esposa dele Meghan contra "A Firma", o apelido da monarquia, acusada de racismo e falta de apoio.

Agora resta saber se o casal, que vive na Califórnia, comparecerá aos funerais do avô, cujo formato será reduzido devido à pandemia.

A sociedade real College of Arms, encarregada do protocolo, afirmou que não será um funeral de Estado e que seu caixão não será exposto ao público.

Seu corpo repousará no Castelo de Windsor até os funerais, "conforme o costume e os desejos de sua Alteza Real", informou a organização.

O Palácio de Buckingham declarou na sexta-feira que a rainha "examina" a organização do funeral.

Nesses tempos de pandemia, é recomendado ao público que não se aproxime das residências reais para evitar aglomerações, e que em vez disso façam doações para associações.

Também é possível acessar pela internet um livro de condolências.

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