'Samba do Trabalhador' cita censura ao se referir à proibição de manifestação política no Renascença Clube

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RIO — A presidência do Renascença Clube divilgou, nas redes sociais, uma nota contra manifestações políticas feitas dentro do estabelecimento. A publicação deixou integrantes do Samba do Trabalhador, tradicional roda de samba do local, e outros artistas descontentes com o posicionamento do espaço, localizado no Andaraí, Zona Norte do Rio. O texto foi postado no Instagram e no Facebook após frequentes protestos contrários o governo de Jair Bolsonaro, que geralmente acontecem ao fim dos eventos. Nesta quarta-feira, o clube apagou a nota das redes sociais.

O espaço é conhecido por promover a resistência e a cultura negra na cidade desde a sua inauguração, que já passou por diversos endereços na Zona Norte desde 1951. A apresentação do Samba do Trabalhador, que tem o compositor Moacyr Luz como um dos integrantes, é a principal atração de segunda-feira, dia da roda de samba.

Na nota assinada pelo presidente do Renascença, Luiz Xavier Alves, o texto ressalta que o clube tem o compromisso de buscar uma "sociedade mais igualitária, em que pese livre a manifestação de pensamento". No entanto, reafirma sua "posição supra-partidaria", citando a proibição de manifestações políticas conforme o estatuto: "ART. 104 - É vedado ao clube promover em suas dependências qualquer manifestação de caráter politico-partidário", cita a nota.

O clube lembra, porém, que é considerado o primeiro espaço criado por fundadores negros da classe média carioca que, cansados de sofrer discriminação, abriram um espaço "dedicado ao samba e às tradições afrodescendentes". O texto completa ainda que nenhum associado poderá usar ou envolver o nome do clube em campanhas políticas.

Após o episódio, o grupo "Samba do Trabalhador" publicou nas redes sociais uma nota assinada pelos integrantes contra o posicionamento do Renascença, afirmando ser contra "quaisquer tipos de censura": "O samba, em sua essência, sempre foi um ato de resistência. Um lugar onde aqueles que nunca tiveram voz, passaram a poder se expressar através da arte. Por aqui, seremos sempre apreciadores incansáveis da liberdade da expressão", diz.

Na publicação da nota divulgada pelo Renascença, outros frequentadores e internautas criticaram o posiconamento, ressaltando o samba como um ato político de resistência. Artistas como Rafael Zulu, a cantora Dorina, que também se apresenta do Renascença, e a sambista Teresa Cristina também comentaram. Teresa Cristina afirmou na publicação que é "uma pena" ter que se despedir do clube, onde afirmou ter tido vários momentos alegres: "Vocês deveriam ter vergonha de soltar uma nota dessas".

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