Sambista da Portela se destaca no 'The voice +'

Regiane Jesus
·3 minuto de leitura

RIO — O “The voice +” é um rio que está passando na vida de Vanderlei Santanna. O coração do portelense se deixou levar pela disputa que joga luz sobre os veteranos, gente que “não perde o prazer de cantar”, exatamente como dizem os versos de “A batucada dos nossos tantãs”, sucesso do Fundo de Quintal e um dos sambas que o também taxista escolheu para cantar no programa da Rede Globo.

Morador de Ricardo de Albuquerque, nascido e criado em Olaria, o integrante da ala de compositores da Portela tem o ritmo mais popular do país correndo nas veias. Soltar a voz na quadra da azul e branco de Madureira, nos tempos pré-pandemia, era um dos maiores prazeres de sua vida. Foi lá, com as bênçãos da águia e do divino manto, que conheceu sua mulher, Kátia dos Santos, a responsável por sua inscrição no reality show .

— A parte que sobrou para mim foi a de cantar nas seletivas do “The voice +”. A Kátia fez tudo sozinha e só contou da inscrição quando a Globo já ia me chamar para fazer os testes. No dia em que pisei naquele palco pela primeira vez, senti uma alegria muito grande. No momento em que as cadeiras do Daniel e da Claudia Leitte viraram, então, fui ao delírio. Eu sempre fui um cantor amador, então estar no programa é muito especial porque me sinto iniciando para valer a carreira artística — diz o sambista, de 69 anos, que faz parte do time do sertanejo.

Viver exclusivamente de música, Santanna nunca conseguiu. Talvez por isso não se defina como um cantor profissional. Mas não é um ilustre desconhecido das noites do subúrbio carioca.

— Eu já cantei muito em barzinhos, mas nunca recebi o suficiente para me sustentar, pagar as contas. Meu intuito é que a visibilidade conquistada no programa abra as portas da música para mim. Espero que os convites para shows apareçam assim que a pandemia chegar ao fim. Quero cantar, ir aonde o povo está — avisa.

Não é de hoje que o sambista iniciou sua relação com a música:

— Eu comecei a cantar muito garoto, com 12, 13 anos. Antigamente, havia uma festa de rua em Olaria que a garotada toda frequentava. Um dia, o locutor anunciou um concurso que presentearia com uma bola o menino que cantasse melhor. Quando ouvi aquilo, corri para me inscrever. E não é que ganhei? Estava mais de olho na bola, mas a música já era uma paixão. Com 15 anos, já dava canjas em barzinhos ao lado de amigos e familiares. Aos 17, comecei a compor e a frequentar blocos de rua. Participei de muitos concursos de samba antes de chegar à ala de compositores da Portela, que é a minha escola do coração.

Será que o próximo passo é a vitória no “The voice +”?

— Minha expectativa é ganhar (risos). Ninguém entra numa disputa para perder. Eu tenho concorrentes muito fortes, mas quero chegar à final, sim — frisa Santanna.

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