Samsung supera Huawei e retoma liderança global do mercado de celulares

Rubens Eishima
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Após sofrer diretamente os impactos da COVID-19 em sua participação no mercado de celulares, a Samsung mostrou sinais de recuperação e retomou a liderança do setor. Os sul-coreanos haviam sido ultrapassados pela Huawei no segundo trimestre, mas dados da consultoria Counterpoint indicam que a situação já foi revertida, com sinais pessimistas para os chineses.

Os analistas da empresa revelaram que a Huawei liderou o mercado em abril e maio, enquanto outra consultoria, a Canalys, registrou a liderança dos chineses período que compreende os meses de abril, maio e junho deste ano.

Os motivos da troca de posições são consenso entre os analistas, que identificaram um resultado das recomendações de distanciamento social e fechamento do comércio no segundo trimestre em países da Europa, América Latina e sul da Ásia, regiões em que a Samsung é especialmente forte. Ao mesmo tempo, a China já reabria o comércio, beneficiando a local Huawei.

Reabertura da economia

Agora, com o relaxamento das restrições de circulação e a reabertura de lojas ao redor do mundo, a venda de celulares da marca sul-coreana registrou uma recuperação. Segundo a Counterpoint, a Samsung alcançou sua maior fatia de mercado na Índia, aproveitando não apenas a volta do comércio, como também as tensões que o país vive com a vizinha China — terra natal de suas principais rivais no mercado.

Samsung retomou a liderança perdida para a Huawei (Imagem: reprodução/Counterpoint Research)
Samsung retomou a liderança perdida para a Huawei (Imagem: reprodução/Counterpoint Research)

Outra empresa beneficiada com a queda da Huawei foi a também chinesa Xiaomi. Mas, segundo os analistas, ela ganhou mercado em outros países onde a rival perdeu espaço, caso do leste europeu, onde a marca Redmi se expandiu.

Uma empresa que tem tudo para ganhar força nos próximos meses é a Apple, após o anúncio da linha iPhone 12. Os lançamentos da marca geralmente acontecem no final do terceiro trimestre do ano (em setembro), mas neste ano a atualização anual ficou para o começo de outubro. Mesmo assim, o atraso não deve ameaçar as boas vendas registradas pela marca, que aproveita as datas comerciais do último trimestre para colocar seus campeões de venda nos rankings anuais.

Bom enquanto durou

Já para a Huawei fica o registro do feito histórico. Os analistas da Counterpoint não acreditam na possibilidade da marca chinesa reverter a trajetória de queda, provocada pelas inúmeras sanções comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos à fabricante. O relatório da empresa sequer menciona a possibilidade do presidente Donald Trump não ser reeleito ao avaliar futuras movimentações do mercado:

“Como resultado [das sanções à Huawei], a concentração dos principais nomes do mercado de smartphones será ainda mais forte. Vemos principalmente empresas como Samsung, Apple, Xiaomi e Oppo se beneficiando”, opinou Minsoo Kang, analista de pesquisa da empresa.

Enquanto as medidas de restrição à circulação das pessoas estiveram em vigor no ocidente, a Huawei chegou a deter 21% das vendas de celulares no mundo. Em agosto, a participação dos chineses já tinha caído para 16%, enquanto a da Samsung subiu de 20% para 22%.

E as perspectivas não são nada otimistas para a fabricante, alvo de um cerco não só à venda de celulares nos EUA, como também de sua cadeia de suprimento de componentes, como CPUs, memórias e telas. Com esforços da própria Samsung para voltar a fornecer peças para a rival.

Fonte: Canaltech

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