Base do Samu em SP tem falta de ventilação e problemas de higiene

FÁBIO MUNHOZ
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Trabalhadores denunciam irregularidades na base do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no bairro Santa Cecília, na região central de São Paulo. Entre as falhas citadas pelos socorristas estão falta de higiene adequada e problemas de ventilação, situação que é ainda mais grave em razão da pandemia de Covid-19. Em um vídeo a que a reportagem teve acesso, um funcionário mostra que os quartos para descanso, tanto masculino quanto feminino, são abafados e não possuem ar condicionado - no início deste mês, capital e estado registraram recordes de calor. No dormitório das mulheres, a fiação é exposta e fica perto de uma das beliches, colocando as trabalhadoras em risco. No dos homens, as botas do uniforme são guardadas de maneira improvisada em cima de um armário de metal, sem um local adequado para armazenamento. Os socorristas se refrescam do calor com um ventilador quebrado. O refeitório, cujas paredes têm marcas de mofo, é ligado diretamente a dois banheiros, que também apresentam irregularidades. Um deles está interditado por causa de um entupimento. O outro, que originalmente seria o feminino, está sem assento no vaso sanitário. O vídeo mostra o chão sujo e o cesto de lixo completamente cheio. Diretora do Sindsep (Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo), Lourdes Estevão confirma a situação na base da Santa Cecília e diz que o problema é recorrente em toda a cidade. Segundo ela, a falta de infraestrutura para os trabalhadores é consequência da reestruturação que a gestão Bruno Covas (PSDB) fez no Samu no ano passado. A medida fechou 31 bases do Samu, transferindo o serviço para salas em postos de saúde, unidades de assistência ambulatorial, hospitais e centros de atendimento psicossocial. "Antes, as bases eram bem distribuídas pela cidade de acordo com estudos epidemiológicos e de atendimento. Depois da portaria [que instituiu a reestruturação], as bases foram jogadas para dentro de locais que não têm condição adequada para o recebimento dessas equipes", diz Lourdes. A sindicalista acrescenta que há locais em que, após voltarem de uma ocorrência, os socorristas têm de passar no meio de pacientes de um hospital ou unidade de saúde para chegar à área de higienização. "Isso aumenta o risco de contaminação cruzada, ou seja, tanto por pacientes quanto pelos trabalhadores", finaliza. OUTRO LADO A secretaria municipal de Saúde de São Paulo informa que há um projeto para reforma da base do Samu de Santa Cecília, com verba do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Não foram dados prazos. Sobre os problemas na base, a pasta diz que aguarda liberação de verba para instalação de ar condicionado. A secretaria afirma que "não foram registradas queixas por ventiladores quebrados" e que "a unidade possui contrato de limpeza vigente". A pasta cita a entrega recente da nova Central de Regulação do Samu e garante que "a nova estrutura permite inclusive a ampliação e agilidade no atendimento das ocorrências", com redução no tempo médio de atendimento e de espera. "A Secretaria da Saúde convida os jornalistas do Agora a conhecerem as instalações da nova central do Samu ao invés de reproduzirem boletins do sindicato", finaliza a nota enviada pela pasta, que não estendeu o convite às bases antigas.