Sanções vão gerar onda migratória, afirmam talibãs a EUA e Europa

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Jovens vendedores de balões, em uma rua de Cabul, no Afeganistão, em 6 de outubro de 2021 (AFP/WAKIL KOHSAR)

Os talibãs advertiram delegados dos Estados Unidos e da União Europeia (UE) sobre a possibilidade de que as sanções econômicas contra o governo afegão podem minar a segurança internacional e deflagrar uma onda de refugiados econômicos.

O ministro talibã interino das Relações Exteriores, Amir Khan Muttaqi, disse a diplomatas ocidentais em Doha que "enfraquecer o governo afegão não é do interesse de ninguém, porque seus efeitos negativos afetarão diretamente a segurança do mundo e a migração econômica do país", de acordo com um comunicado divulgado na noite de terça-feira (12).

Os talibãs, islamistas radicais, derrubaram o governo afegão apoiado pelos EUA em agosto passado, após um conflito de duas décadas para impor sua rígida interpretação da lei religiosa.

Suas tentativas de estabilizar o país, que enfrenta ataques do grupo extremista Estado Islâmico-Khorasan (EI-K), viram-se, no entanto, afetadas pelas sanções internacionais. No momento, bancos estão sem dinheiro, e funcionários públicos estão sem receber salário.

"Pedimos aos países do mundo que acabem com as sanções e permitam que os bancos operem normalmente para que grupos de assistência, organizações e governo possam pagar salários com suas próprias reservas e assistência financeira internacional", apelou Muttaqi na reunião de Doha.

Os países europeus temem que um colapso da economia afegã provoque a uma saída em massa de migrantes. Esse fluxo pressionaria países vizinhos, como Paquistão e Irã, e, eventualmente, as fronteiras da UE.

Washington e a UE disseram estar preparados para apoiar iniciativas humanitárias no Afeganistão, mas se preocupados em dar assistência direta aos talibãs sem garantias de que respeitarão os direitos humanos, especialmente os das mulheres.

A UE prometeu na terça-feira um bilhão de euros (1,16 bilhão de dólares) de ajuda humanitária para o Afeganistão, durante uma reunião virtual do G20.

Mas a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, recordou que a ajuda "é para o povo afegão e os vizinhos do país que foram os primeiros a oferecer ajuda", o que significa que não deve passar pelas mãos dos talibãs.

O movimento islamita garante que não representa uma ameaça para os direitos humanos, nem para as mulheres.

As meninas afegãs, no entanto, continuam sem voltar à escola, exceto nas cidades de Kunduz e Mazar-i-Sharif, e a maioria das mulheres não retornou ao trabalho.

Perto de Herat, na região oeste do Afeganistão, os talibãs já aplicaram duras punições contra supostos criminosos, o que alimentou o temor de que o novo regime adotará o mesmo sistema brutal e fundamentalista como o estabelecido entre 1996 e 2001.

Em pelo menos duas ocasiões, os corpos de supostos criminosos foram pendurados em guindastes no centro das cidades.

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