Sanders e Buttigieg assumem dianteira na acirrada disputa democrata

Por Michael MATHES con Jerome CARTILLIER en Washington
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Aspirante à candidatura democrata à presidência dos EUA e senador por Vermont Bernie Sanders, em 11 de fevereiro de 2020 em Manchester, no estado de New Hampshire

Há um longo caminho a ser percorrido na corrida democrata para definir quem será o rival de Donald Trump nas eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos, mas Bernie Sanders e Pete Buttigieg já abriram uma vantagem sólida.

O senador socialista de Vermont terminou a segunda etapa das eleições primárias, em New Hampshire, dois pontos à frente do ex-prefeito de South Bend, Indiana, 40 anos mais novo e desconhecido até alguns meses atrás.

Os nove candidatos ainda na disputa já estão de olho em Nevada, a próxima parada para a interna democrata, em 22 de fevereiro. A disputa continuará na Carolina do Sul (29 de fevereiro), antes da "Super Terça-feira" de 3 de março, na qual quase 15 estados irão às urnas.

"Nossa vitória em New Hampshire não é sobre mim. É sobre nós. É sobre o movimento que nossos apoiadores, voluntários e doadores construíram e que transformarão este país", tuitou Sanders.

Na noite de terça-feira, diante do público comemorando sua vitória, ele havia garantido que esse momento representaria "o começo do fim para Donald Trump".

Para seus inimigos dentro do Partido Democrata, a posição de esquerda do senador de 78 anos é sua principal desvantagem para enfrentar Trump.

A questão que se coloca é quem melhor poderia defender as cores de centro: Buttigieg, que sonha em seguir os passos de Barack Obama? A senadora Amy Klobuchar, que terminou em terceiro na noite de terça-feira? Ou o bilionário Michael Bloomberg, que entrou na corrida tarde, mas tem recursos para sua campanha como nenhum outro concorrente?

- Mais um revés para Biden -

O prato que falta nesse menu é Joe Biden, por muito tempo o grande favorito para garantir a indicação.

O ex-vice-presidente de Barack Obama, com meio século de carreira política em Washington, recebeu outro revés em New Hampshire depois de terminar em um modesto quinto lugar, com uma votação que não chegou a 10%. Biden já estava em quarto lugar no "caucus" de Iowa, um abalo que ele descreveu como um "golpe nas entranhas".

No entanto, ele se mostrou confiante ao dizer que "a luta apenas começou" e lembrou que sua capacidade de gerar apoio entre eleitores negros e latinos é maior do que a de seus adversários.

Nesta quarta-feira, ele tuitou: "Ninguém me disse que o caminho seria fácil, mas juntos podemos e vamos vencer".

Embora seja verdade que os estados de Iowa e New Hampshire, onde a maioria dos eleitores são brancos, não sejam representativos dos 1.991 delegados necessários para garantir a candidatura na convenção de julho, as primárias não são apenas uma questão de aritmética.

As vitórias nessas primeiras disputas oferecem uma exposição na mídia que permite captar fundos cruciais para as etapas seguintes. As derrotas, por outro lado, afastam os doadores.

Outra senadora progressista favorita Elizabeth Warren, procura, como Biden, se projetar para além de New Hampshire e obter votos por meio de perfil como candidato da unidade, mas os resultados parecem indicar que ela perdeu o ímpeto do início de sua campanha.

Por outro lado, Amy Klobuchar, de 59 anos, aposta em conquistar a região que os democratas precisam seduzir se pretendem derrotar Donald Trump: o meio-oeste rural, que inclinou a balança para Trump em 2016.

- Trump, analista no Twitter -

Da Casa Branca, Donald Trump, que não tem rivais de peso nas primárias republicanas, comenta o desenvolvimento da corrida democrata pelo Twitter.

Fiel a seu estilo provocador, ele ataca, ironiza e destaca o que considera bom ou ruim.

"Elizabeth Warren, que às vezes é chamada de Pocahontas, está tendo uma péssima noite", escreveu Trump, sugerindo que seu chamado à unidade é uma maneira de jogar a toalha para "ir para casa, tomar uma 'cerveja boa e gelada' com o marido", escreveu o presidente.

Trump se referiu ao resultado de Buttigieg como "muito interessante" e também zombou de Michael Bloomberg, a quem ele chama de "Mini Mike", sublinhando sua votação ruim.

"Muitos democratas partem hoje à noite, com QI político muito baixo", tuitou.

Andrew Yang, um empresário de 45 anos que se tornou conhecido por sua proposta de estabelecer uma renda básica universal, o senador Michael Bennet e o ex-governador de Massachusetts, Deval Patrick, anunciaram que estão abandonando a competição depois que os resultados foram revelados.