Sanders começa ano eleitoral fortalecido e supera temores sobre saúde

Por Elodie CUZIN
O senador Bernie Sanders

Nem um ataque cardíaco, nem seus rivais de peso, nem as preocupações com sua idade foram capazes de afastar Bernie Sanders da corrida presidencial, cuja campanha, incentivada por seguidores jovens e fervorosos, supera as adversidades.

"Estamos provando que você não tem que implorar aos ricos e aos poderosos" por doações, disse o senador de Vermont na quinta-feira (2), ao anunciar que sua campanha arrecadou US$ 34,5 milhões nos últimos três meses de 2019. Trata-se da maior quantia reunida entre os candidatos do campo democrata.

Apesar da ascensão da senadora progressista Elizabeth Warren durante o verão (hemisfério norte), nos últimos meses Sanders recuperou o segundo lugar das pesquisas pela indicação democrata.

E, embora o ex-vice-presidente Joe Biden lidere as sondagens em nível nacional, o senador está na frente quando se trata da arrecadação de doações, com US$ 96 milhões, em 2019, contra US$ 60 milhões de seu concorrente de perfil mais moderado.

O feito é ainda mais impressionante, levando-se em conta que Sanders, o candidato de mais idade na disputa, com 78 anos, começou o quarto trimestre em uma posição perigosa, após ter tido um ataque cardíaco, em 1º de outubro.

O senador mostrou sinais públicos de fraqueza, e sua equipe foi criticada por não ser totalmente transparente sobre seu estado de saúde.

O veterano se recuperou e obteve alta de um cardiologista, segundo o qual o pré-candidato pode continuar sua campanha "sem limitações".

Enquanto se recuperava de seus problemas cardíacos, ganhou o apoio da representante Alexandria Ocasio-Cortez, uma figura popular entre os progressistas e de outras figuras da ala mais à esquerda do partido no Congresso, entre elas Ilhan Omar e Rashida Tlaib.

Estas figuras "lhe dão certa credibilidade entre os eleitores não brancos", depois da disputa democrata de 2016 contra Hillary Clinton, quando sua campanha foi "criticada por falta de diversidade", disse à AFP Miles Coleman, especialista do Centro de Política da Universidade da Virgínia.

No ano passado, Sanders reuniu uma crescente coalizão que inclui desde ativistas ambientais, a líderes trabalhistas e famosos, como a rapper Cardi B, passando por um exército de milhares de jovens voluntários.

"Com essa base comunitária, multirracial e multicultural, vamos derrotar o pior presidente da história do nosso país, Donald Trump", disse Sanders, em um vídeo publicado no Twitter na quarta-feira, quando iniciou uma viagem de campanha de ônibus por Iowa. Este estado inaugura as primárias, que começam em 3 de fevereiro.

- "Autenticidade" -

Depois de deixar seus problemas de saúde para trás, o congressista voltou aos comícios e recuperou seu vigor e humor habituais.

Crítico de Wall Street, Sanders reivindica um "Green New Deal" para lutar contra a mudança climática e defende uma profunda reforma do sistema de saúde americano, contando com um sólido apoio entre os eleitores jovens.

"Os 'millennials' apreciam a autenticidade", explica Coleman.

E, como Sanders "não é um político típico", parece mais próximos dos jovens americanos, especialmente dos que atingiram a maioridade depois da crise financeira de 2008 e não acreditam que o "socialismo" seja uma palavra ruim.

Em Iowa, Sanders tem uma vantagem.

"Conta com uma sólida organização de base desde 2016, a qual ele manteve e reforçou", disse William Sweeney, da Faculdade de Relações Públicas da American University.