"Sandman": as diferenças entre os quadrinhos e a série da Netflix

Tom Sturridge interpreta Morpheus em
Tom Sturridge interpreta Morpheus em "Sandman". (Foto: Divulgação/Netflix)

Depois de mais 30 anos de espera, "Sandman" chegou ao catálogo da Netflix nesta sexta-feira (5), adaptando dois arcos dos quadrinhos homônimos de Neil Gaiman: "Prelúdios e Noturnos" e "A Casa de Bonecas". Mas como todas as adaptações, a série passou por algumas mudanças para adequar a história para o streaming.

Os dez episódios da primeira temporada mostram como Morpheus passou décadas aprisionado na Terra. Quando ele finalmente consegue se libertar, dá início a uma jornada para recuperar suas ferramentas e voltar a reinar Sonhar.

A série da Netflix teve supervisão do próprio Gaiman, que trabalhou ao lado de David S. Goyer ("Batman Despertar") e Allan Heinberg ("Mulher-Maravilha") para transformar sua criação em uma obra fiel ao texto original. Algumas dessas alterações foram sutis e outras tiveram um peso maior para o desenvolvimento da história. Confira:

  • A motivação de Roderick Burgess

Roderick Burgess é apresentado como um mago ambicioso e deseja aprisionar a Morte para chantageá-la, com o intuito de adquirir poder e imortalidade. Mas o ritual acaba tomando um rumo inesperado e prende Sonho (Tom Sturridge), outro membro dos Perpétuos. Ele tenta chantagear Morpheus, que permanece em total silêncio por sete décadas.

Já na série, Burgess (Charles Dance) deseja capturar a Morte para ajudá-lo a trazer o filho de volta dos mortos, que foi assassinado durante a Primeira Guerra Mundial.

  • Período aprisionado

Nos quadrinhos, Sonho é capturado por Roderick Burgess em 1916 e consegue se libertar exatamente 72 anos depois, em 1988. O período também é uma referência aos momentos em que o mundo enfrentou guerras mundiais e frias, onde as pessoas se tornaram incapazes de sonhar, simbolizando a ausência de Morpheus.

Na série, Sonho é aprisionado pela Ordem dos Antigos Mistérios e passa um século inteiro em cativeiro. A passagem de tempo não é tão detalhada como nas HQs, mas é possível notar que o protagonista está na idade moderna por conta dos elementos visuais e cenográficos.

  • Morte do Gregory

Uma das cenas mais emocionantes da série é o momento em que Morpheus precisa absorver a energia de uma de suas criações para recuperar seu poder no segundo episódio. Sem suas ferramentas e enfraquecido, ele suga a energia da gárgula Gregory, o animal de estimação dos irmãos Caim (Sanjeev Bhaskar) e Abel (Asim Chaudhry).

No gibi, ele também reencontra a dupla no início de sua jornada, mas absorve cartas que havia deixado sob a supervisão dos irmãos. Assim, Gregory não precisou ser sacrificado.

  • O duelo no inferno

Ao descobrir que seu elmo está no inferno, Sonho desce ao submundo para encontrar o demônio que está em posse de sua poderosa ferramenta. Ele encontra Lúcifer (Gwendoline Christie), que supervisiona sua visita não requisitada e também o duelo do Perpétuo com Choronzon.

Na série, Lúcifer ganha o papel ainda maior para antagonizar o rei de Sonhar. A realeza do inferno é escolhida por Choronzon para representá-lo em uma batalha, que acaba sendo derrotada por Morpheus.

  • Destaque do Coríntio

No arco "Prelúdio e Noturnos”, Coríntio é um pesadelo rebelde que abandonou Sonhar quando Morpheus foi aprisionado. Ele se refugiou na Terra e começou a assassinar humanos, inspirando outras pessoas a cometerem crimes brutais.

Na adaptação, o personagem vivido pelo ator Boyd Holbrook deixa Sonhar quando Sonho ainda reinava e é por esse motivo que o protagonista estava na Terra quando foi capturado por Burgess. Coríntio ainda teve um papel importante para ensinar o Mago a como manter Morpheus em cativeiro por tantos anos.