Sandra Pêra lança disco e relembra sofrimento com disputa pela herança da irmã, Marília

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A caminho de Fortaleza, onde faria um show com as Frenéticas, no fim dos anos 1970, Sandra Pêra encontrou Belchior, no avião, pela primeira vez. Com pânico de voar, ela sempre segura a mão de quem está sentado ao lado — até hoje. Naquele dia, foi a do cantor. Anos depois, Sandra ouviu de muita gente que Belchior costumava dizer que “Medo de avião” foi feita para ela, o que Sandra acha graça e duvida, já que nem roupa de cetim usava naquele dia. Mas ela não podia deixar a canção de fora da homenagem que presta ao compositor em seu segundo disco solo, feito 38 anos depois do primeiro e que chega às plataformas musicais e às lojas amanhã.

“Sandra Pêra em Belchior” (Biscoito Fino) tem 12 faixas do cearense na voz da carioca e participações de Ney Matogrosso, Zeca Baleiro, Chicas e Juliana Linhares.

A ideia surgiu em dezembro numa noite na casa de Kati Almeida Braga, diretora da Biscoito Fino, quando começou a tocar o álbum “Serenata”, de Fagner. Sandra se emocionou com a faixa “Mucuripe”, parceria entre ele e Belchior, e Kati sugeriu que a ex-Frenética gravasse músicas do cantor, morto em 2017. Semanas depois o projeto começou a andar e agora se junta à Belchiormania, que tem regravações recentes de Emicida e Ana Cañas.

— O que Belchior fala é muito atual. E a maneira como ele diz é bem popular. Ele é genial.

Integrante do grupo As Frenéticas desde a fundação, em 1976, até 1982, Sandra só entrou em estúdio para investir num disco solo uma única vez, em 1983. Como o projeto não foi um estouro de vendas, ela acabou seguindo outros caminhos.

— A gravadora achou que seria um estrondoso sucesso como foram As Frenéticas, e não foi. Eu estava só começando o que seria uma nova carreira — relembra.

Ela, então, voltou ao teatro, sempre dando um jeito de cantar nos espetáculos. Agora separada dos palcos pela pandemia, vem se jogando de cabeça nas iniciativas on-line, como muitos artistas. Tem ensaiado um conto de Clarice Lispector com direção de Ana Beatriz Nogueira, feito aulas de teclado (“Estou com as costas doloridas”, brinca) e remexido as dezenas de caixas espalhadas pela casa para fazer o “Álbum comentado da Sandra Pêra”. Trata-se de uma série no Instagram em que ela compartilha imagens da trajetória dela, da atriz Marília Pêra, sua irmã, e de amigos, sempre com histórias muito detalhadas.

— Tenho toneladas de fotos. Minha irmã falava que eu sou a memória da família.

Morta em dezembro de 2015, Marília, 11 anos mais velha, era considerada por Sandra como uma “irmãe”. Inclusive, a atriz fez questão de colocar a caçula no testamento, junto de seus três filhos e de seu marido, Bruno Faria. O documento, no entanto, foi contestado por Bruno, e o processo correu em segredo de justiça.

— Mas agora resolveu, fizemos um acordo — diz Sandra, afirmando que a vontade de Marília foi “mais ou menos” respeitada. — Foi chato, sofrido, porque ela teve as melhores intenções; (no Brasil) a pessoa escreve, vai no advogado, lacra, põe no cofre. Aí alguém pode dizer não.

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