Sangue, plaquetas e medula: saiba quem pode e como doar

Centros de saúde orientam na identificação dos doadores (Getty Images)

O corpo humano simplesmente não pode funcionar sem sangue circulando em suas veias. Por isso, a doação de sangue é um ato tão importante. Cerca de 7% de todo o peso corporal de uma pessoa é composto por sangue, componente vital para o funcionamento de todos os órgãos, já que é por meio dele que são transportados o oxigênio e nutrientes.

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No entanto, de acordo com instituições especializadas na coleta de sangue, sempre há defasagem na conta final dos bancos. Informações da Fundação Pró-Sangue, em São Paulo, dão conta que apenas 4 milhões de brasileiros em todo o país são doadores - o que representa 2% da população.

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Doar é um ato de solidariedade

O sangue doado é usado para auxiliar pessoas que sofreram intervenções médicas de grande porte e complexidade, como transfusões, transplantes, procedimentos oncológicos e cirurgias. Pessoas com doenças crônicas graves, como a anemia falciforme e a talassemia, também necessitam de doadores regularmente.

Homens podem realizar a doação quatro vezes ao ano e mulheres, três vezes. Há também a possibilidade de doar plaquetas e se cadastrar em um banco especial para doação de medula óssea. Lembrando que em cada doação de sangue, o máximo de sangue retirado é 450 ml.  

Doadores podem ter entre 16 e 69 anos

A princípio, pode ser doador qualquer pessoa entre 16 e 69 anos, que pesam mais de 50 Kg, que não possuam doenças transmissíveis (como HIV, doença de Chagas, hepatite B e C e outras), que não estejam grávidas ou no período pós-parto, bem como quem não tenha realizado procedimentos cirúrgicos recentemente ou que tenha feito piercings, tatuagens e maquiagem definitiva – esses últimos casos são apenas um impedimento temporário.

Centros certificam se você pode ser doador 

Pessoas que não têm certeza sobre seu estado de saúde e querem realizar testes de HIV, sífilis e hepatite devem procurar os Centros de Testagem e Aconselhamento que realizam testes gratuitos. Para saber onde encontrar o centro mais próximo, basta acessar o site do Departamento de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde – ou apenas, clicar aqui.

Além de ter um bom estado de saúde, os doadores também devem seguir algumas outras recomendações como estar descansado no dia da doação (ter dormido por pelo menos 6h) e alimentado (de preferência alimentos leves e não gordurosos).

Doadores devem estar descansados e bem alimentados (Getty Images)

Doadores deve seguir um protocolo

O Ministério da Saúde possui um guia com todas as informações básicas necessárias. Se você preenche os requisitos primários, deve ir até um hemocentro da sua cidade ou buscar por unidades de coleta de sangue, e levar documento com foto. Os mesmos requisitos exigidos para a doação de sangue também são os aplicados na doação de plaquetas e de medula.

Doação de plaquetas ajuda pacientes com leucemia

Outro tipo de doação que não é tão conhecido é o de plaquetas, responsáveis por controlar sangramentos. A coleta também é feita por meio de doação de sangue e, posteriormente, aplica-se um procedimento chamado de aférese, que separa as plaquetas do sangue do doador para, então, repassar aos receptores.

Pacientes em tratamento de câncer são os mais beneficiados por doações de plaquetas, mas vítimas de traumas e pessoas que se submeteram a cirurgias cardíacas, por exemplo, também se beneficiam.

Doadores de medula óssea devem se inscrever em lista única

Para quem quer se candidatar à doação de medula óssea, é preciso se cadastrar no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o REDOME. A doação não é feita imediatamente, é preciso fazer antes o cadastro no banco, colher material e esperar até que se tenha alguém compatível.

“Se houver um receptor compatível no país, o doador será acionado e só então será convocado para fazer mais testes”, explica a médica Vanessa Prado, do Centro de Especialidades do Aparelho Digestivo do Hospital Nove de Julho, em São Paulo. E completa: “a doação consiste na coleta de material da medula óssea, geralmente por uma punção nos ossos da bacia, que é feita com anestesia e em centro cirúrgico”.

A doação consiste na coleta de material da medula óssea (Getty Images)

Parentes têm mais chances de compatibilidade com medula

Vanessa explica que, se o doador e o receptor forem da mesma família, não é preciso estar cadastrado no REDOME. “Entre parentes, a chance de compatibilidade é muito maior do que entre não aparentados - especialmente irmãos e filhos/pais”, explica.

A doação de medula é conhecidamente usada no tratamento de leucemia, mas ela também serve para ajudar pessoas com outras doenças originadas no sistema imune em geral, gânglios e baço, além de anemias graves e doenças como mielodisplasias, doenças do metabolismo, autoimunes e outros tipos de tumores.

Pessoas que tenham antecedente de câncer (mesmo que tratado) ou doenças autoimunes, inflamatórias crônicas não podem doar medula.