Sanofi produzirá vacina anticovid da outra concorrente

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Fábrica da Sanofi em Val-de-Reuil, Normandia, 10 de julho de 2020

A Sanofi vai produzir na França as vacinas contra a covid-19 de suas concorrentes Johnson & Johnson e Pfizer-BioNTech, dada a atual impossibilidade de comercializar a sua, que entra nesta segunda-feira (22) em fase de ensaio clínico com voluntários.

O laboratório indicou em comunicado que, "a partir do terceiro trimestre", será responsável "por várias etapas da fabricação da vacina contra a covid-19 da Johnson & Johnson".

O grupo farmacêutico cuidará da formulação e do envase dos frascos na sua unidade francesa em Marcy-l'Etoile, perto de Lyon, "em 2021, a um ritmo de cerca de 12 milhões de doses por mês".

"Nossa ambição é fazer o máximo possível, se pudermos fazer mais por que não", disse à AFP Thomas Triomphe, vice-presidente executivo da Sanofi Pasteur, o braço de vacinas da Sanofi.

Esta é a segunda vez que a Sanofi coloca suas ferramentas de produção a serviço da concorrência: fabricará a partir do verão (hemisfério norte) em sua fábrica alemã em Frankfurt mais de 125 milhões de doses da vacina de RNA mensageiro desenvolvida pela Pfizer-BioNTech.

A urgência da pandemia deu origem a alianças inesperadas entre empresas do setor, às vezes rivais. A suíça Novartis, que não se lançou na corrida das vacinas, se prepara para fazer o mesmo pela BioNTech.

Para o CEO da Sanofi, Paul Hudson, este acordo com a Johnson & Johnson "atesta a determinação da Sanofi em contribuir com o esforço coletivo para acabar com esta crise sanitária o mais rápido possível".

Os anúncios foram feitos depois que o governo francês pediu à Sanofi para disponibilizar suas linhas de produção para acelerar a fabricação das tão esperadas doses para tentar conter uma pandemia que já matou cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo.

"Nossa prioridade absoluta continua sendo a fabricação da nossa própria vacina. E se faremos essa operação com a BioNTech e Johnson & Johnson é porque nos certificamos de que também temos capacidade para produzir a nossa própria vacina", insistiu Thomas Triomphe.

Apesar dos contratempos, o laboratório francês está determinado, e anunciou nesta segunda o início de um novo estudo de fase 2 de sua principal vacina candidata, desenvolvida com a britânica GSK e que usa tecnologia de proteína recombinante, na esperança de disponibilizá-la no quarto trimestre.

"Este novo estudo de fase 2 avaliará o potencial de uma formulação refinada de antígenos para atingir uma resposta imunológica ideal, particularmente em adultos mais velhos", explicou.

O estudo de fase 1/2 anterior foi concluído em dezembro com uma resposta imunológica insuficiente em adultos idosos, "provavelmente devido a uma concentração insuficiente de antígenos".

O novo teste será conduzido com 720 voluntários maiores de 18 anos nos Estados Unidos, Honduras e Panamá.

Se os dados forem positivos, um estudo de fase 3 deve começar "em maio-junho" em um "grande número de países em vários continentes", de acordo com Triomphe, e a vacina estará disponível no quarto trimestre.

A Sanofi também informou pesquisas sobre novas variantes e "para poder preparar diferentes formulações para avançar o mais rápido possível quando necessário", segundo Thomas Triomphe.

O laboratório também está desenvolvendo uma segunda vacina candidata com a americana Translate Bio, com base na tecnologia de RNA mensageiro (a utilizada pelas vacinas da Pfizer/BioNTech e Moderna, já autorizadas).

"Dados pré-clínicos mostram que duas injeções da vacina de RNAm induzem uma produção de alta concentração de anticorpos neutralizantes", segundo a Sanofi, que pretende iniciar os testes da vacina em voluntários humanos, na fase 1/2, em março.

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