Santa Catarina adota protocolo para decidir quais pacientes terão leitos de UTI

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RIO DE JANEIRO, BRAZIL - MARCH 24: Health workers tend to a patient at the intensive care unit for patients infected with Covid-19 at the reference hospital Ronaldo Gazolla on March 24, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. According to data released by the Municipal Health Secretariat, the occupancy of ICU and infirmary beds in the state of Rio de Janeiro is above 93%. One day after registering for the first time over 3,000 deaths in just 24 hours, the official death toll in Brazil reached more than 300,000 deaths from Covid-19.(Photo by Buda Mendes/Getty Images)
Em todo o Brasil, filas de espera de leitos de UTI preocupa especialistas (Foto: Buda Mendes/Getty Images)
  • Em Santa Catarina, Secretaria de Saúde adotará critério para definir quem receberá leitos de UTI

  • Em janeiro, fevereiro e março, 233 pessoas morreram na fila por um leito

  • Pacientes com menos chance de sobrevivência são encaminhados para receber cuidados paliativos

Como em grande parte do Brasil, Santa Catarina enfrenta situação delicada no sistema de saúde, com falta de leitos de UTI e filas para atendimento de pessoas com covid-19. Por isso, a Secretaria Estadual de Saúde adotou um protocolo de triagem para decidir quais serão os pacientes transferidos para um leito da UTI. A informação foi revelada pelo Estadão.

Como não há leitos adequados para todos os pacientes, alguns vão para unidades de terapia intensiva, enquanto outro receberão tratamento paliativos.

Os critérios são da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, da Associação Brasileira de Medicina de Emergência, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e da Academia Nacional de Cuidados Paliativos. As instituições criaram o protocolo em maio de 2020.

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O documento é uma lista de recomendações sobre como usar recursos e, assim, salvar o maior número de vidas possível em um momento em que o sistema está sobrecarregado.

Na última sexta-feira (26), a médica intensivista Lara Kretzer, primeira autora do documento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, fez uma apresentação para os conselhos de secretários de saúde estaduais e municipais.

O primeiro critério adotado é o da gravidade da doença aguda e quantos órgãos foram afetados. O segundo é observar se o paciente tem doenças crônicas. Segundo Lara Kretzner, a ideia é avaliar se a pessoa está caminhando para o fim da vida, mesmo antes da covid.

O terceiro critério seria a funcionalidade, ou seja, quanto a pessoa aguenta fisicamente não apenas a doença, mas um tratamento agressivo como o da UTI.

Ao Ministério Público, o governo de Santa Catarina informou que em janeiro, fevereiro e março, 233 pessoas morrer a espera de um leito de UTI. Com a situação se agravando, de acordo com o Estadão, o governo estadual decidiu dividir os pacientes em dois grupos.

Os de “prioridade 1” são os que precisam de intervenções de suporte à vida e tem alta chance de recuperação. No grupo 2 estão pessoas que precisam ser monitorados por terem alto risco de precisarem de intervenção imediata, sem limitações para intervenção terapêutica.

Quem menos tem chance de chegar a UTI são os pacientes com baixa probabilidade de recuperação ou em fase terminal. Para essas pessoas, caso faltem leitos, a orientação é que eles recebam cuidados paliativos.