São Paulo decreta toque de recolher das 23h às 5h até 14 de março

João Conrado Kneipp
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People wear a protective mask due to the pandemic of the new coronavirus (covid-19), this Thursday morning, on Avenida Paulista, in the central region of the city of Sao Paulo. Today begins the decree published on Tuesday, 05, the mandatory use of protective masks by all citizens who take to the streets in the State of Sao Paulo, according to Governor João Doria. Inspection for non-compliance with the rule, however, will be the responsibility of each of the 645 city halls of the State, which will determine, in each municipality, how to inspect and punish non-compliance with the rules. May 7th, 2020. (Photo: Fábio Vieira/FotoRua) (Photo by Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto via Getty Images)
A medida de restição de circulação anunciada pelo governador João Doria (PSDB) valerá das 23h às 5h a partir desta sexta-feira (26) e seguirá até o dia 14 de março. (Foto: Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto via Getty Images)

O governo de São Paulo anunciou um toque de recolher noturno em todo estado após registrar o recorde de internações por Covid-19. A medida de restição de circulação anunciada pelo governador João Doria (PSDB) valerá das 23h às 5h a partir desta sexta-feira (26) e seguirá até o dia 14 de março.

Na prática, a medida decreta o fechamento de todos os comércios entre 23h e 5h, restringe a circulação da população nesse horário, e proíbe a realização de aglomerações. Fora desses intervalos, as cidades terão de obedecer às regras do Plano São Paulo.

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"Dado ao fato que chegamos ao recorde de internações de pacientes com Covid-19 no sistema de saúde do estado de São Paulo, e atendendo às recomendações expressas do Centro de Contingência do Coronavírus, o governo de São Paulo decreta restrição de circulação das 23h às 5h em todo o estado de São Paulo, de 26 de fevereiro a 14 de março", anunciou Doria.

A restrição visa diminuir a circulação de pessoas no período noturno, quando há a maior ocorrência de aglomerações e festas clandestinas, segundo o governo do estado.

Assim, haverá fiscalização e multa para pessoas que estejam aglomeradas e circulando sem justificativa nas ruas após esse horário. A Polícia Militar vai realizar abordagens de fiscalização e orientação. Pessoas que estejam voltado do trabalho nesse horário, por exemplo, não serão autuadas, segundo o governador.

Na segunda-feira (22), o estado registrou o maior número de internados em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) desde o início da pandemia. De acordo com o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, o número de internados na segunda-feira era de 6.288 pessoas. Até então, o pior índice já registrado ocorreu durante o pior momento da primeira onda em 2020, quando o estado apresentou 6.257 internados nas UTIs.

Já nesta quarta, 2 dias depois, o número saltou para 6.657 pacientes em UTI.

"Esse para nós é o terceiro dia consecutivo de aumento desses números. Nesses últimos 3 dias, 100 pessoas diariamente foram admitidas nas UTIs", complementou Gorinchteyn.

O percentual de ocupação dos leitos de UTIs no estado é de 69%, enquanto na Grande São Paulo é 69,3%.

Diante do aumento da ocupação de leitos, o Centro de Contingência de Combate ao Coronavírus elaborou uma lista de recomendações extraordinárias com restrições de circulação de pessoas e funcionamento de serviços para conter a disseminação do novo coronavírus.

'COLAPSO DOS LEITOS DE UTI EM 3 SEMANAS'

A justificativa dada pelo coordenador do Centro de Contingência, o infectologista Paulo Menezes, para a rigidez da medida é o aumento no número de internações, em especial nos leitos de UTI.

Nos últimos 10 dias, o estado apresentou um acréscimo de 660 pacientes internados nos leitos intensivos. Nesse ritmo de crescimento, segundo ele, o sistema de leitos de UTI do estado de São Paulo estaria comprometido em aproximadamente 3 semanas.

"Dessa forma, estamos extremamente preocupados. Ainda temos leitos disponíveis, mas se olharmos para o futuro temos uma previsão preocupante de esgotar os leitos de UTI em aproximadamente 3 semanas. Isso é consequência, provavelmente, das aglomerações que ocorreram há 10 dias. Mas há outros fatores envolvidos, como as novas variantes", explicou.

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