São Paulo fala em 'colapso no atendimento' se casos e internações de Covid-19 aumentarem

João Conrado Kneipp
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The Executive Secretary of the coronavirus containment committee of Sao Paulo, Joao Gabbardo, speaks during a press conference at the headquarters of the Butantan Institute in Sao Paulo, Brazil, on November 10, 2020 amid the COVID-19 pandemic. - The National Health Surveillance Agency (ANVISA) suspended clinical studies involving the vaccine against COVID-19 CoronaVac, which has been tested by the Butantan Institute in partnership with the Chinese pharmaceutical company Sinovac. The immunizer is at the centre of a political dispute between President Jair Bolsonaro and the governor of Sao Paulo, Joao Doria. (Photo by Nelson ALMEIDA / AFP) (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
Por conta do aumento da velocidade de contágio no estado de São Paulo, o governo João Doria anunciou um endurecimento nas medidas restritivas ao comércio. (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)

O coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, João Gabbardo, afirmou que o estado pode enfrentar um início de colapso no sistema de saúde se os casos e internações por Covid-19 seguirem crescendo.

“Estamos em uma situação em que se aumentar mais o número de casos, aumentar mais o número de internações, podemos começar a enfrentar o colapso no atendimento”, declarou Gabbardo, durante a coletiva de imprensa desta terça-feira (22).

Por conta do aumento da velocidade de contágio no estado de São Paulo, o governo João Doria anunciou um endurecimento nas medidas restritivas ao comércio. Por 6 dias, entre o período de Natal e Ano Novo, São Paulo irá obedecer as regras da Fase Vermelha, a mais restritiva do Plano São Paulo.

Entre os dias 25 a 27 de dezembro, e 1 a 3 de janeiro, só funcionarão os serviços considerados essenciais. Nos demais, volta a vigorar a Fase Amarela, na qual o estado inteiro foi inserido no dia 30 de novembro.

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A região de Presidente Prudente, no entanto, foi reclassificada à Fase Vermelha permanentemente devido aos índices alarmantes de internação e ocupação das taxas dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

A próxima reclassificação só será feita no dia 7 de janeiro de 2021.

O governo não descarta, no entanto, endurecer as medidas antes disso caso os números piorem. “Se nós com esses resultados não conseguirmos ter uma redução no número de casos, de internações, e continuarmos com essa pressão no sistema de saúde, é possível que logo adiante tenhamos que tomar outras medidas”, afirmou Gabbardo.

São Paulo registrou, nas últimas quatro semanas, um crescimento de 54% nos casos e de 34% nos óbitos causados pela Covid. O governo teme uma explosão de infecções nas festas de Natal e Ano Novo. Dados das companhias de telefonia móvel mostraram que a taxa de isolamento no estado no sábado (19) foi de 40%. Um índice considerado positivo pelo governo estadual é acima de 50%.

RISCO DE COLAPSO PASSA POR FALTA DE PROFISSIONAIS

Na avaliação de Gabbardo, um dos fatores que contribui para esse risco de colapso no atendimento é a pouca disponibilidade de profissionais de saúde.

“Temos uma situação muito difícil no momento que é a disponibilidade de profissionais, de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas. Muitos falam em abertura de leitos em Hospitais de Campanha. Talvez se nós criássemos um Hospital de Campanha nesse momento teríamos muita dificuldade de conseguir os profissionais para cumprir com as escalas necessárias para atendimento desses novos leitos”, afirmou.