São Paulo paralisa novas cirurgias e impede hospitais de fecharem leitos Covid

João Conrado Kneipp
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Dr. Jean Gorinchteyn, Secretary of Health of São Paulo, during a press conference on the announcement of measures to combat the Coronavirus, (COVID-19) this Wednesday, August 12, 2020 at Palácio dos Bandeirantes in Sao Paulo, Brazil. During a press conference it was announced that João Doria, (PSDB) Governor of São Paulo, tested positive for COVID-19 (Coronavirus). (Photo: Roberto Casimiro/Fotoarena/Sipa USA)(Sipa via AP Images)
Decreto foi anunciado pelo secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, em coletiva na tarde desta quinta-feira (19). (Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena/Sipa USA)(Sipa via AP Images)

O governo de São Paulo anunciou, nesta quinta-feira (19), a assinatura de um decreto que determina que todos os hospitais públicos, filantrópicos e privados paralisem o agendamento de novas cirurgias eletivas na tentativa de garantir a existência de leitos para pacientes da Covid-19.

O decreto é uma resposta ao aumento nos casos de infecções e oscilação positiva no número de óbitos no estado. Na segunda-feira, o governo João Doria (PSDB) admitiu pela primeira vez que ocorre um aumento estimado em 18% nas internações pelo novo coronavírus no estado de São Paulo.

No mesmo decreto, o governo impede que todos os hospitais fechem os leitos já abertos e destinados aos infectados pela doença, ou os convertam para utilização em outras especialidades.

“O governo assina hoje um decreto que determina a todos os hospitais públicos, filantrópicos e privados a não desmobilização de qualquer leito, de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e de enfermaria, voltado para o Covid. Assim como a não realização de novos agendamentos de cirurgias eletivas para que se possa garantir leitos para os pacientes Covid”, anunciou o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn.

Além do decreto, a reclassificação do Plano São Paulo - que determina as medidas restritivas diante da pandemia - será feito a cada 14 dias e não mais 28 dias, como era antes.

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O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), afirmou que é estável a situação da pandemia da Covid-19 na capital. Candidato à reeleição, Covas também descartou qualquer necessidade de decretar um lockdown no município.

Mais cedo, durante agenda de campanha, Covas negou que a capital esteja passando por uma segunda onda de infecções pelo vírus. Ele reconheceu, no entanto, que há uma variação positiva — o que não representaria um crescimento — na taxa de ocupação dos leitos de UTI para pacientes com o novo coronavírus.

“Estamos em um momento de estabilidade da pandemia na cidade de São Paulo. Há uma estabilidade em relação ao número de casos na cidade de São Paulo, uma estabilidade em relação número de óbitos na cidade de São Paulo, mas há uma variação positiva na taxa de ocupação dos leitos de UTI Covid”, afirmou Covas, em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (18).

Na avaliação do prefeito, a variação positiva na taxa de ocupação dos leitos de UTI acontece por três fatores. O primeiro deles, segundo Covas, seria uma redução na quantidade de leitos destinados à Covid.

Atualmente, ainda de acordo com ele, são 19,5 leitos por 100 mil habitantes. “Antes, chegamos a ter 31 leitos por 100 mil habitantes. As redes municipal e privada foram reduzindo essa quantidade de leitos. E há, portanto, espaço para ampliar essa quantidade”.

Covas também justifica que as internações em UTIs variaram devido ao crescimento de casos nas classes A e B, apontados há um mês, e por um número maior de pacientes vindos de fora da capital. “Em março, 13% das pessoas internadas com Covid em São Paulo eram de fora da cidade. Hoje, nós estamos com essa taxa em 20%”, completou.

Alegando seguir as recomendações da Saúde e da Vigilância Sanitária, o prefeito rechaçou a imposição de lockdown na capital e também vetou qualquer avanço no relaxamento das medidas de segurança nos setores do comércio e da Educação.

“Não há nenhum número que indique qualquer necessidade de lockdown como infelizmente alguns veem espalhando. Por conta da estabilidade da evolução da pandemia aqui na cidade, não é o momento de ampliar a flexibilização. Como também não há nenhuma necessidade de retroceder na flexibilização que já foi feita. Vamos continuar no mesmo estágio e com as mesmas atividades abertas", afirmou.

UIP VÊ ‘RECRUDESCIMENTO DA 1ª ONDA’

Na quarta, o infectologista David Uip afirmou que São Paulo não está diante de uma possível segunda onda de Covid-19. Na avaliação do médico — que integra o Centro de Contigência do Coronavírus —, o aumento de novos casos significaria, na verdade, um agravamento da primeira onda que atingiu o estado.

“Minha opinião, falando como David Uip e não em nome do centro de contingência, é que não há uma segunda onda em São Paulo, e sim uma continuidade da primeira onda. Nosso número de infectados nunca foi um número que chegou perto ao de outros países, e depois caiu. Agora, há um recrudescimento dessa onda”, analisou o infectologista.

A capital São Paulo vem registrando um aumento expressivo no número de internações, tanto na rede privada como na municipal, além de uma alta na procura por atendimento vinda de pacientes com quadros respiratórios e com suspeita de Covid-19.