Unidades de saúde de SP sentem sobrecarga por surto de gripe A

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Pacientes adultos e crianças aguardam a realização de consultas médicas por quadros de doenças respiratórias. Com recuo do coronavírus na capital, causado pela vacinação em massa, a suspeita recai sobre o vírus influenza tipo H3N2 que vem se disseminando - Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias
Pacientes adultos e crianças aguardam a realização de consultas médicas por quadros de doenças respiratórias. Com recuo do coronavírus na capital, causado pela vacinação em massa, a suspeita recai sobre o vírus influenza tipo H3N2 que vem se disseminando - Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias

A epidemia de gripe já é uma realidade em São Paulo, na avaliação de profissionais que fazem parte da linha de frente no atendimento aos pacientes em São Paulo. Enfermeiros, médicos e gerentes de postos de saúde e unidades de Pronto Atendimento da capital relatam uma disparada no número de casos de doenças respiratórias nas últimas duas semanas.

Apenas em uma UBS localizada na zona leste da cidade, o número de testes PCR para detecção de coronavírus saltou de 3 para 16 por dia em média. Os sintomas se confundem e apenas o teste pode esclarecer de qual doença se trata. “Estamos com uma sobrecarga semelhante aos momentos de pico da pandemia de Covid-19“, explica um encarregado pelo posto que prefere não se identificar, por conta de restrições da Secretaria Municipal de Saúde.

A principal diferença atualmente é que, ao contrário do período entre abril e julho deste ano, a maioria dos testes realizados agora dão resultado negativo.

Nas salas de espera de unidades espalhadas pela capital, se multiplicam o número de pacientes aguardando consultas, às vezes por até 2h somente o tempo para a triagem. Chama atenção também a quantidade de crianças com sintomas respiratórios.

Por conta de limitações impostas pela Secretaria municipal de Saúde e pelas organizações sociais que gerem as unidades básicas de atenção, nenhum dos profissionais de saúde abordados pela reportagem aceitou se identificar.

Em três unidades visitadas, os responsáveis relataram um aumento de 300% no número de pacientes entre a primeira e a segunda semana de dezembro. Em média, nessas unidades, eram realizadas 20 consultas por dia de síndromes respiratórias. Nos últimos dias, o número de pessoas que buscam atendimento com esses sintomas saltou para pelo menos 60 diariamente.

Atenção epidemiológica

Unidades de Saúde em SP sofrem com alta nos atendimentos por gripe - Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias
Unidades de Saúde em SP sofrem com alta nos atendimentos por gripe - Foto: Gustavo Basso/Yahoo Notícias

Desde a semana passada, o Estado de São Paulo já está em estado de atenção para o aumento de casos de gripe, mas o governador João Dória afirma que ainda não é possível confirmar uma epidemia no estado. De acordo com a SMS, nos primeiros 15 dias de dezembro foram realizados 91,8 mil atendimentos de síndrome gripal, enquanto em todo o mês de novembro foram 111,9 mil atendimentos. Metade dos casos foram classificados como suspeita de Covid-19.

Os casos de gripe no Brasil neste fim de ano, incluindo a epidemia no Rio de Janeiro, estão associados principalmente à linhagem “Darwin” do vírus Influenza A (H3N2), que foi a cepa predominante da mais recente temporada de gripe no hemisfério Norte. Uma das hipóteses para o aumento de casos no Brasil é que a linhagem Darwin não está incluída na composição das atuais vacinas em uso no hemisfério Sul, que seguem recomendação da OMS.

Na esteira de aberturas e flexibilizações no isolamento social, incluindo a realização de festas e shows em todo o Brasil, na capital fluminense, o número de mortes causadas por influenza se aproxima do número de óbitos provocados pela Covid-19 atualmente. No período de 28 de novembro a 17 de dezembro, a influenza causou 16 óbitos, enquanto a Covid-19 provocou 23 mortes.

Em geral, as campanhas nacionais de vacinação contra a gripe no Brasil têm início no mês de abril, antecipando a chegada do inverno, com o objetivo de proteger o organismo de pessoas mais vulneráveis, como idosos e crianças, imunossuprimidos e pessoas com comorbidades.

O Instituto Butantan, produtor das vacinas da gripe aplicadas no país pelo Sistema Único de Saúde (SUS), informou em um comunicado que os imunizantes atualizados começarão a ser fabricados em janeiro.

Medidas preventivas

O aumento de casos de influenza e o avanço da variante Ômicron do coronavírus levaram o governo de São Paulo a prorrogar o uso obrigatório de máscaras no estado até o fim de janeiro. A obrigatoriedade tinha validade prevista até 31 de dezembro, mas o governo reviu os planos.

A OMS diz que, nesta quinta-feira (23), as 469 UBS atendem usuários com sintomas de gripe sem a necessidade de agendamento. Na sexta (24), véspera de Natal, as unidades atenderão com exclusividade, das 7h às 19h, casos com sintomas respiratórios, e o Hospital Municipal da Brasilândia teve 258 de seus leitos reservados para tratar pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srags), decorrente tanto da gripe como da Covid-19, e a pasta afirma está contratando 280 médicos e enfermeiros para tornar mais rápida a triagem e o atendimento da população em UPAs e AMAs.

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