Sarampo: mundo tem pior cobertura vacinal desde 2008 e 40 milhões de crianças estão em risco, alerta OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta quarta-feira para a constante queda na cobertura de vacinação contra o sarampo desde o início da pandemia de coronavírus. Em relatório produzido em parceria com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a organização apontou que em 2021, um recorde de quase 40 milhões de crianças perderam uma dose da vacina contra o sarampo: 25 milhões de crianças não receberam a primeira dose e um adicional de 14,7 milhões de crianças perderam a segunda dose.

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Esse declínio representa um revés significativo no progresso global para alcançar e manter a eliminação da doença e deixa milhões de crianças suscetíveis à infecção. O sarampo é uma doença altamente contagiosa, quase totalmente evitável pela vacinação. Entretanto, para atingir a imunidade de rebanho, que oferece proteção coletiva e possibilita eliminar a doença, é necessário atingir uma cobertura vacinal de 95% com duas doses.

O mundo está bem abaixo disso: 81% das crianças receberam a primeira dose de vacina contra o sarampo e apenas 71%, a segunda. Estas são as taxas de cobertura global mais baixas da primeira dose de vacinação contra o sarampo desde 2008, embora a cobertura varie de acordo com o país.

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“O paradoxo da pandemia é que, enquanto as vacinas contra a Covid-19 foram desenvolvidas em tempo recorde e implantadas na maior campanha de vacinação da história, os programas de imunização de rotina foram seriamente interrompidos e milhões de crianças perderam as vacinas que salvam vidas contra doenças mortais. como o sarampo”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Colocar os programas de imunização de volta nos trilhos é absolutamente crítico. Por trás de cada estatística neste relatório está uma criança em risco de uma doença evitável.”

No ano passado, cerca de 9 milhões de casos e 128 mil mortes por sarampo foram confirmadas em todo o mundo. Vinte e dois países experimentaram surtos grandes e perturbadores. Declínios na cobertura vacinal, enfraquecimento na vigilância da doença, interrupções e atrasos contínuos na imunização devido à Covid-19, além de grandes surtos persistentes em 2022, significam que o sarampo é uma ameaça iminente em todas as regiões do mundo, pois o vírus pode se espalhar rapidamente para várias comunidades e além das fronteiras internacionais.

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Nenhuma região da OMS conseguiu manter a eliminação do sarampo. Desde 2016, dez países que já haviam eliminado a doença tiveram surtos e restabeleceram a transmissão. O Brasil é um deles. Em 2019, após um ano de circulação do vírus, o país perdeu a certificação de “país livre do vírus do sarampo”, que havia sido concedido pela entidade, em 2016.

Em 2021, quase 61 milhões de doses de vacina contra o sarampo foram adiadas ou perdidas devido a atrasos relacionados à Covid-19 em campanhas de imunização em 18 países. Atrasos aumentam o risco de surtos. Por isso, a OMS afirma que é hora de as autoridades de saúde pública acelerarem os esforços de vacinação e fortalecerem a vigilância.

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“Os surtos de sarampo ilustram as deficiências dos programas de imunização, mas as autoridades de saúde pública podem usar a resposta ao surto para identificar comunidades em risco, entender as causas da subvacinação e ajudar a fornecer soluções adaptadas localmente para garantir que as vacinas estejam disponíveis para todos”, disse a diretora do CDC, Rochelle P. Walensky.

Surtos de sarampo ilustram deficiências nos programas de imunização e outros serviços essenciais de saúde. Para mitigar o risco, os países e as partes interessadas globais devem investir em sistemas robustos de vigilância. De acordo com a estratégia de imunização global da Agenda de Imunização 2030, os parceiros globais de imunização continuam comprometidos em apoiar investimentos no fortalecimento da vigilância como um meio de detectar surtos rapidamente, responder com urgência e imunizar todas as crianças que ainda não estão protegidas contra doenças evitáveis ​​por vacinação.