Sargento da Marinha é ouvido pela 1ª vez três meses após matar vizinho negro

  • Sargento da Marinha será ouvido pela Justiça nesta segunda-feira

  • Ele matou em fevereiro um vizinho negro após "confundi-lo" com um bandido

  • Em abril, a Justiça determinou que o atirador respondesse pelo episódio em liberdade

Responsável pelo assassinato de um vizinho em São Gonçalo, Rio de Janeiro, o sargento da Marinha Aurélio Alves Bezerra finalmente será ouvido pela Justiça nesta segunda-feira (9), mais de três meses após o crime.

Aurélio assassinou a tiros Durval Teófilo Filho no dia 2 de fevereiro, quando chegava ao condomínio onde ambos moravam por volta das 23 horas.

O sargento foi preso em flagrante, mas, em abril, acabou solto pelo 4º Tribunal do Júri de São Gonçalo. Na ocasião, a juíza Juliana Grilo El-Jaick revogou a prisão do atirador.

El-Jaick apontou o fato de Aurélio ter folha de antecedentes criminais limpa, além de residência fixa, pouco depois de a Justiça ter negado um habeas corpus pedido pela defesa do sargento.

Relembre o caso

Aurélio alegou que atirou em Durval em legítima defesa, após confundi-lo com um bandido. Imagens das câmeras de segurança do condomínio registraram o momento do assassinato.

Em depoimento à Polícia Militar, o sargento afirmou que chegava em casa quando avistou alguém se aproximando “muito rápido” de seu veículo. Por isso, decidiu atirar três vezes. Os disparos atingiram a região da barriga de Durval.

A vítima Durval Teófilo Filho e o sargento da Marinha Aurélio Alves Bezerra. Foto: Reprodução.
A vítima Durval Teófilo Filho e o sargento da Marinha Aurélio Alves Bezerra. Foto: Reprodução.

Somente após os tiros, Aurélio se aproximou da vítima e percebeu que ela não estava armada. Durval teria explicado que também era morador do condomínio e foi levado ao hospital pelo sargento, mas não resistiu.

Aos policiais, Aurélio tentou justificar-se e afirmou que “a localidade é perigosa, costuma ter muitos assaltos”.

Viúva acusa sargento de racismo

Ao G1, Luziane Teófilo afirmou que Durval foi morto por ser negro. Ela contou que foi a filha do casal, de 6 anos, quem primeiro percebeu que o pai havia sido baleado.

“Vendo as câmeras, ouvindo a fala do delegado e pelo que os vizinhos estão falando, tenho certeza de que isso aconteceu porque ele é preto. Mesmo eles falando que ele era morador do condomínio, o vizinho não quis saber. Para mim, foi racismo sim”, declarou.

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